- out
- 19
- 2011
“Os invisíveis – a literatura proletária brasileira”, palestra de Luiz Ruffato na Bienal
Categorias: Blog do Bienaldo
O escritor mineiro e jornalista Luiz Ruffato conversou com o escritor pernambucano e jornalista Homero Fonseca, no Círculo das Ideias, sobre os personagens que são invisíveis diante da literatura brasileira: os proletários.
Luiz Ruffato é jornalista, escritor e editor mineiro, recebeu os prêmios da APCA e Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional, com o livro “Eles eram muitos cavalos” (2001), publicado também na Itália, na França e em Portugal. Autor de “Estive em Lisboa e lembrei de você” (Companhia das Letras, 2009).
Segundo Ruffato, a literatura brasileira retrata, em todos os aspectos, a área rural. No mundo urbano, não há o trabalhador, só o bandido. “Na década de 30, só tinha sindicalista e não proletário mesmo. Há uma total insensibilidade da literatura em relação ao trabalhador.”, diz.
Homero comentando sobre Ruffato, afirma que ele trabalha com a matéria prima da literatura. “Seus romances não tem linearidade. Há um trabalho de invenção onde os personagens são de carne e osso”, completa Homero.
Em relação ao jornalismo, Ruffato afirma que foi fundamental a técnica que aprendeu ao longo dos quatro anos para entender sobre o que queria escrever.
“Anos fiquei tentando resolver meu problema: não escrever o romance burguês. Queria algo anti burguês, uma construção anti biográfica. Meus personagens não tem biografia porque as enchentes levam os documentos, não sobra nada. É a construção de um universo não linear, formado por fragmentos”, diz Ruffato.
Outro ponto que o escritor mineiro toca em relação a seus romances é a desconstrução do pobre. “O pobre geralmente é negro, sujo e evangélico. Comecei a subverter isso nos meus romances. Os leitores não vão encontrar pessoas boazinhas e que falam errado”, finaliza Ruffato.





Deixe um comentário
Para sua imagem aparecer ao lado de seu nome, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual comentou.