- out
- 10
- 2009
Alberto Mussa fala sobre a estreita relação entre leitura e literatura na Bienal
Categorias: Releases
“Nunca pensei em ser escritor, mas desde pequeno já era leitor”. A afirmação do escritor carioca Alberto Mussa é uma síntese da sua palestra “O escritor como leitor”, que ministrou na noite desse sábado (10), no auditório Carlos Pena Filho da VII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. A apresentação da palestra ficou a cargo de Cristhiano Aguiar.
O universo da leitura é um tema bastante familiar para Alberto Mussa. Sua avidez pela literatura sempre o pôs em contato com temas relativos à história da antiguidade e antropologia. O escritor tem especial interesse por culturas e civilizações que normalmente ficam à margem da história tradicional, como as pré islâmicas, as africanas e a os povos pré históricos brasileiros.
Durante o encontro, o escritor carioca contou que sua relação com esse universo é bastante familiar. “Eu nasci dentro de uma biblioteca. Minha família sempre teve muitos livros em casa, e a minha relação com a literatura foi tão natural quanto as brincadeiras de infância na rua. Ainda pequeno recitava trechos inteiros de Os Lusíadas (Camões) de cor”, lembra.
A vontade de ser escritor, Alberto Mussa diz que veio bem depois. Antes, ele sonhava em ser compositor. Foi quando teve que abandonar por um tempo a carreira universitária que o desejo de escrever tornou-se mais forte. “A falta do ambiente universitário me fez querer escrever. Inicialmente fiz poemas e sonetos, hoje totalmente perdidos”.
Iniciava-se a partir de então para Alberto Mussa uma bem sucedida carreira literária, inspirada principalmente pelas leituras realizadas pelo escritor. “Os livros refletem um pouco das minhas leituras. Realmente escrevo sempre baseado em alguma ideia vinda de um grupo de literaturas que me interessa”, afirma.
Isso aconteceu, por exemplo, quando Alberto Mussa entrou em contato com a cultura indígena em 1990, quando se preparava para fazer um doutorado na língua Tupi em 1990. Das leituras surgiram obras como o livro Meu destino é ser onça.
Entre seus feitos, Alberto Mussa traduziu os “Poemas Suspensos”, obra dos tempos pré-islâmicos transmitidas oralmente. Levou dez anos para concluir a tradução, pois teve que aprender a língua árabe desde o alfabeto. “Apesar da minha ascendência árabe, eu não falava essa língua”, revelou.
Da Executiva Press
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