- out
- 10
- 2009
Andahazi discute sobre o sagrado e a sexualidade
Categorias: Releases
O autor no Brasil de “A Cidade dos hereges” e “O Anatomista”, Federico Andahazi foi o centro do debate do último Café Cultural da noite do sábado, dia 10, junto com jornalista Marcelo Pereira, do Jornal do Commercio. Polêmico, em função da criação da biografia do descobridor do clitóris, Mateo Colombo, lançada no livro “O Anatomista”, o escritor argentino defendeu a fronteira imprecisa da verdade e ficção e o desejo como matéria que impulsiona a literatura e a sexualidade.
Em comum nas duas obras, a questão da repressão à sexualidade, o poder e a sacralidade. Ele contou que a criação da biografia de Mateo Colombo surgiu de sua descoberta em um livro de medicina sobre este, que foi um anatomista da idade média, responsável por descobrir um dos maiores segredos do prazer feminino, em uma época de proibições e perseguições. ”Achei muito insólito não haver mais do que umas notas nas enciclopédias sobre Mateo e ótimo para mim, como escritor, que poderia inventá-la”, disse Andahazi, nome que aparece hoje associado à maioria das menções ao nome Mateo Colombo nos buscadores.
“O poder não tolera a literatura nem a sexualidade e, ao sacralizá-las, descobriu um modo de controlá-las”, explicou. A questão da sexualidade vai permear de novo toda a sua próxima obra, que agora vai abordar a sexualidade livre dos povos anteriores aos espanhóis na Argentina. “As deusas dos templos incas não só consideravam o sexo livre de pecado como ofereciam-no em uma prática espiritual”, lembrou.
Andahazi – segundo ele, um autor “bastante argentino” – conversou ainda sobre plágio, Igreja Católica, contrapropaganda à sua obra, futebol, Argentina e outros temas, respondendo às perguntas de Marcelo Pereira e do público. Concluiu o Café Cultural concordando com a visão de que toda literatura é uma reescrita de algo já escrito ou palintextos, como dizia Baudelaire.
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