Monthly Archives: novembro 2016

Ainda não conhece Tempos de Olívia, de Patricia Maês?

Talvez em Tempos de Olívia se encontre uma das mais felizes definições do que seja a função de um artista hoje: “somos os gladiadores matando as feras que matariam os mais sensíveis.” Cada nova obra, como essa de PatriciaMaês, que é um banho de poesia, resgata o humano das aterradoras superficialidades vazias, ou seja, da “desumanização dos homens”.

Tempos de Olívia é prosa, mas prosa poética. Não se deixa levar pela simples narração objetiva. Acrescenta timbres inusitados e colore com notas emocionais cada frase. Faz com que nos adentremos na turbulenta psique de sua personagem Olívia, como se dentro de uma caverna escura pudéssemos sentir o frio das pedras, os desvãos das rochas, o intricado jogo de luz e sombra que nos confunde a realidade.

O medo diante da tela branca, da página sem uma palavra sequer escrita, de uma partitura muda: eis o drama do artista em seus momentos de crise criadora. O mote principal do romance de PatriciaMaês deriva desse drama. “O que houve comigo é que de repente abri mão de um caminho seguro e caí em um buraco de crise na criatividade.”

Diante da impossibilidade de criar, a personagem Olívia vai tecendo um universo amplo de investigações sobre si mesma e sobre sua relação com o mundo: seja o da arte, o do amor, o das amizades ou do seu público. No interior do romance, fica claro o drama do processo criador bloqueado cujo resultado é devastador, uma paralisia da própria vida que vai se constituindo em torno da personagem.

O drama da personagem é inicialmente exposto na ideia de que um cansaço a invadiu e é explicado pela ausência de ressonância de suas buscas espirituais e/ou artísticas no mundo externo, absolutamente vazio e superficial. Ela diz: “cansaço não de ofício, mas sim de existência interior para a qual não tenho visto correspondência nas coisas externas.”

A explicação sobre o sentido da existência dos artistas (esses “deuses tortos”) e da arte, é produzida no mesmo movimento da crise de criação que a envolve. Gerando uma reflexão sobre o sentido da própria crise, revela o resultado que a literatura teria na vida de seus leitores.

O artista seria, numa bela metáfora criada por Patricia Maês, aquele que “coloca o coração na ponta da lança e o oferece às feras.” E sua missão é clara: “A beleza é nosso papel, e só por ela estamos aqui.”

CACURIÁ DE DONA TETÉ É UMA DAS ATRAÇÕES DA SEMANA DO LIVRO DE PERNAMBUCO

Almerice da Silva Santos, conhecida como D. Teté, foi a grande divulgadora dessa manifestação, responsável por tornar o cacuriá um dos símbolos da identidade cultural do Maranhão, era também caixeira do Divino Espírito Santo, rezava ladainhas, coreira de tambor de crioula e com participação em espetáculos de teatro.

O Cacuriá é uma dança tipicamente maranhense com influências da Festa do Divino Espírito Santo. ela  foi inventada por Seu Lauro, no ano de 1973, mestre popular que organizava vários de tipos de manifestações populares, como Festa do Divino, Bumba-meu boi, Baião Cruzado e outros.

O Cacuriá de Dona Teté foi criado pelo grupo Laborarte em 1986, tendo a frente arezadeira e caixeira da festa do Divino Espírito Santo Almerice da Silva Santos, Dona Teté. Durante o processo de criação do espetáculo o grupo Laborarte buscou elementos característicos que originaram da dança, identificar e expressar a teatralidade, a sensualidade latente da brincadeira, explorando o ritmo, o movimento dos quadris e a letra das canções, criando então uma identidade única que conquistou o público de maranhense e de outras regiões. Hoje, o Cacuriá de Dona Teté é referência para os outros grupos de cacuriá no Maranhão, além de ser reconhecido nacionalmente como um grande expoente das manifestações tradicionais brasileiras.

Atualmente, o espetáculo conta com 32 dançarinos, 04 caixeiras, cavaquinho, violão, flauta e efeitos percussivos, o Cacuriá de D. Teté apresenta um espetáculo alegre, dinâmico, ao som dos ritmos de carimbó, caroço, valsa e baião inspirado no carimbó de caixeiras. As músicas do espetáculo são de autoria de D. Teté, Rosa Reis, Cecé Ferreira, Dona Roxa, Camila Reis e de domínio popular.

As coreografias são criadas a partir dos movimentos dos pássaros e animais destacados nas letras das músicas, inspirada nas brincadeiras tradicionais, alegria das caixeiras e brincantes ao final da festa do divino, quando na derrubada do mastro érealização do carimbó de caixeiras.

O figurino de Cláudio Vasconcelos e adaptações do grupo Laborarte, é destaque do espetáculo, remete as indumentárias e adereços dos festeiros do divino Espírito Santo.

O espetáculo é envolvente e mexe com o público que ao final entra na roda e brinca com o elenco em algumas de suas coreografias.

A Semana do Livro traz grande diversidade de atrações e muita reflexão e diversão!

“É urgente (re)escrever o presente”

 

E assim se apresenta a Semana do Livro – Narrativas Possíveis do Presente, evento que ocorrerá de 30 de novembro a 4 de dezembro.  As pautas, enfrentamentos e dúvidas que marcaram o ano serão colocadas em debate. É preciso (re) escrever 2016. É tratar a palavra como ação, como instrumento de mudança e ativação social. Entre 30 de novembro e 4 de dezembro iremos ocupar o Mepe (Museu do Estado de Pernambuco) com debates, oficinas e mesas redondas, voltadas aos públicos adulto e infantil

A Semana do Livro de Pernambuco chega cheia de personalidade e força, trazendo temas bastante pertinentes ao momento e apresentando convidados de grande peso (até agora foram anunciados nomes como:  o escritor Bernardo Kucinski, a tradutora, escritora Ivone Benedetti, a jornalista e colunista do EL PAÍS Brasil, Eliane Brum, O crítico literário José Castello, a escritora Elvira Vigna, entre outros gigantes).

Com o pouco que foi liberado, já podemos ver uma diversidade muito grande na programação, que também traz a Bienalzinha e suas atrações (como Josildo Sá com o “Latada para Crianças“, banda  CordelândiaVinicius Viramundos e outros nomes que você pode conferir clicando aqui),  lançamentos de livros e até intervenção teatral com o grupo de teatro Magiluth.

Isso porque muita coisa não foi divulgada ainda, a Semana do Livro de Pernambuco nem chegou e já marca pela qualidade da programação. Com certeza vamos prestigiar e acompanhar tudo isso!