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  • out
  • 12
  • 2009

Café Cultural fecha sequência de palestras com sucesso

Categorias: Releases

O primeiro debate da noite deste domingo (11) teve um início intenso e repleto de boas conversas. Nos sofás do Café Cultural da Fafire, o escritor carioca Alberto Mussa, autor do ensaio “Meu destino é ser onça”, lançado em janeiro de 2009 pela editora Record e que trata do legado indígena no Brasil, e o romancista Ronaldo Correia de Brito, autor de “Galileia”, considerado um dos três melhores romances brasileiros de 2008. Eles discutiram sobre literatura, influências literárias e dividiram com o público suas experiências de vida.

O primeiro a incitar dúvidas e reflexões, o cearense Ronaldo Correia de Brito, começou falando como conheceu o lingüista descendente de árabe Alberto Mussa. “Lembro que quando fui à casa dele, não existiam móveis, apenas livros por todos os lados. Minha pergunta é: vivemos numa realidade contemporânea caracterizada pela falta de leitura das pessoas. Então, o que fazem tantas obras literárias na sua residência, Mussa?.” A indagação foi respondida minutos depois. “Eu nasci dentro de uma biblioteca. Lia todos os livros do meu pai, interessava-me muito por ficção. Ler, para mim, foi algo muito natural, desde a infância”, declarou um dos autores mais representativos da narrativa brasileira atual e revelação do IV Festival Internacional de Literatura de Berlim.

No decorrer do bate-papo entre os dois fenômenos da literatura brasileira, ainda houve espaço para o bom humor de Alberto Mussa. “Ronaldo está convidado para ir de novo à minha casa. Agora, comprei móveis. Dessa vez, temos mesas, balcões (risos). Estava pensando um dia desses e cheguei à conclusão que, pela quantidade de livros que tenho, eu demoraria cerca de 80 anos para terminar todos eles.”

Mantendo a simpatia e mostrando-se bastante educado e receptivo, Mussa explicou que a mitologia é o fundamento de sua ficção. “Desde pequeno, eu me interesso por culturas antigas, a afro-brasileira, os incas, os indígenas, a Arábia antiga antes de Maomé. Acho que vivemos em um culto demasiado ao presente. O retorno ao passado faz com que o ser humano seja mais global e possa entender melhor o mundo que o cerca.”

Para completar a primeira palestra noturna do domingo (11), a um dia do encerramento da terceira maior feira literária do Brasil, o escritor que mora desde a adolescência no Recife, Ronaldo Correia de Brito, destacou a liberdade que o romance proporciona ao escritor. “O romance te dá a oportunidade de ser mais plural, de revelar uma maior diversidade de assuntos. O conto é aquela coisa mais resumida, objetiva. Depois de “Galileia”, abandonei de vez a arte do conto.”

Às 20h30, foi a vez do jornalista e contista maranhense Nagib Jorge Neto e do libanês Salim Miguel, que chegou ao Brasil ainda criança, além de Alberto Mussa, voltando à mesa de debates, discutirem a relação entre memória e ficção. Os três escritores, cada um com seus históricos e ambientes literários, imprimiram ao diálogo um tom mais descontraído que o primeiro. O autor de mais de 30 livros e idealizador do primeiro longa-metragem catarinense (para onde se mudou na década de 40), o filme “O preço da ilusão”, Salim, falou da contribuição da figura do pai para sua carreira. “Ele me contava várias historinhas árabes, fictícias, e me incentivava muito a criação.”

Oficina de Notícias

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