- out
- 10
- 2009
Caio Fernando Abreu, homosexualidade e amor em pauta no Café Cultural
Categorias: Releases
Um encontro de semelhantes. Assim foi o Café Cutural Fafire na noite do sábado, 10, com a jornalista paulista Paula Dip e o escritor pernambucano Marcelino Freire. Ela, que lançou na II Bienal Internacional do livro de Pernambuco a biografia “Para sempre teu, Caio F.”, conversou com o público neste encontro sobre as cartas e recordações do de Caio Fernando Abreu e documentadas na sua obra, enquanto trechos do livro foram lidos, ou melhor, interpretados por Marcelino.
”Sou muito grata ao Caio. É um privilégio tê-lo conhecido, mas acho que Marcelino é um artista como ele; não é só escritor, mas ator,trazendo alma a esses textos. Eles iriam dar muitas risadas juntos.É uma pena que não chegaram a se conhecer”, comentou Paula, espantada com o Marcelino que conheceu precisamente nesse Café Cultural.
Entre as semelhanças e diferenças nesse encontro inusitado, Paula interagiu com Marcelino, que se diz um “homosexual não ativo”, recordando Caio, também um homosexual embora assumido e que – segundo ela – tinha paixões por mulheres e cultivava grandes amizades femininas. Ela mesma, uma delas.
Paula disse ter conhecido Caio no final da década de 70: “Ele já era muito avançado pra época. Falava do amor e ponto. Não com um texto chato, mas com o dom dos grandes escritores e dizia “O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar o amor”.
Ela também deu a notícia, em primeira mão, de que a editora Record vai lançar no próximo ano um livro de poesias de Caio.”Ele achava esse gênero muito alto para ele, mas escrevia lindamente”, explicou e jornalista das TVs Gazeta, Cultura e outros veículos e a autora da biografia do grande escritor e também jornalista falecido há três anos, vitimado pela aids. Na ocasião, Marcelino anunciou ainda sua nova obra, uma antologia no prelo em literatura homosexual, organizada por ele e Santiago Nazarian.
O evento foi um dos mais concorridos do Café Cultural deste sábado, quando todas as mesas estiveram ocupadas e muitas pessoas precisaram assisti-lo em pé.
Oficina de Notícias
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