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Releases

  • set
  • 27
  • 2011

Crítica, gastronomia e literatura

Categorias: Releases

A quarta edição do projeto Laboratório de Cultura e Crítica aconteceu na VIII Bienal Internacional do Livro, no Círculo das Ideias, no Centro de Convenções, em Olinda. O tema deste encontro foi “Crítica, gastronomia e literatura: isso se come?” e trouxe como convidados a antropóloga Fátima Quintas e o jornalista Bruno Albertim. A mediação ficou por conta da jornalista Flávia Gusmão. A conversa girou em torno de memórias e comida e como ela é capaz de identificar um povo.

“Cheiros e paladares são atávicos, guardamos para o resto da vida. O paladar é a última coisa que se internaliza em um homem”, afirmou a antropóloga.

O jornalista e crítico gastronômico Bruno Albertim falou sobre sua limitação jornalística quando se trata de dar um olhar mais antropológico à comida e que uma receita é mais do que técnica. Ali, há uma “capacidade de vencer o mundo, de manter uma identidade, seja na literatura, no jornalismo ou na antropologia”, conta Bruno. Segundo o jornalista, o sucesso editorial dos cadernos de gastronomia se deve ao fato da comida transcender diversas fases da vida e alimentar identidade, a noção de pertencimento a um espaço. Bruno ainda reitera a grande tiragem dos livros de área gastronÃ?mica que são lançados em números superiores do que os outros livros devido ao público específico que já os procura nas livrarias.

Flávia Gusmão comentou sobre a importância de se ter o livro físico propagado nas culturas, uma vez que as receitas que lá se encontram não podem ser perdidas, ao longo das gerações. De acordo com Flávia, a função do jornalista está em justamente ir atrás destes guardados que estão em posse de pessoas que entendiam que tais receitas eram uma forma de poder e compartilhar estes escritos com a sociedade, mostrando a sua importância cultural. Para Bruno, a função do jornalista é “descobrir o que há de litúrgico e tradicional em coar um café”.

Fátima diz que, com a globalização, a comida regional irá receber uma “elegância a mais” e que a gastronomia só tem a ganhar. Em relação aos blogs, os jornalistas afirmam que é uma forma de democratizar a arte, ampliar os debates. No entanto, devido à internet ser um campo que não se tem muitas regras, é preciso ter cuidado ao escrever. “O jornalismo nos dá, ou deveria nos dar, uma noção ética. Temos que lembrar, ao escrever, que estamos lidando com empregos e empresas e tudo deve ser muito bem pensado”, afirma Flávia.

 

 

Clareana Arôxa
Estudante de Jornalismo

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