- jul
- 01
- 2009
Diálogo de Fim de Noite
Categorias: Histórias
História de Bartolomeu Pinheiro de Lira
Era tarde já e nenhum ruído quebrava o silêncio da casa, cujo aspecto funesto inspira terror até aos mais corajosos, inclusive ao próprio autor.
Num dos aposentos da velha mansão, um garoto, talvez mais corajoso que todos os outros da sua idade, dispôs-se a levantar-se do seu leito, como que sonambulamente, a caminhar pela escuridão de seu quarto até chegar ao corredor, que dava início a uma penumbra (em algum lugar da sala havia uma vela).
Um leve som, não se sabia de que, chamou a atenção do menino, que foi verificar sua procedência.
Ao caminhar, notava o aumento do ruído, que agora dava quase para decifrar. “Seria um ladrão?” pensou o rapazinho. Queria despertar seus pais, mas deteve-se e pensou em tornar-se, quem sabe, um heroi, em sua imaginação ficcionista. Em seu movimento tênue, notou abruptamente um bulício uniforme, pequenino,…o que seria?
Parou para escutar e distinguiu as seguintes palavras: “Já estou decrépito e muito gasto, e necessito de muito repouso, e não chutando pedras pelo chão, correndo por tudo que é canto…”
O rapazinho, estupefato ao ouvir aquelas vozes, ia passo a passo se aproximando, perplexo ainda quanto ao que seria.
– “Aproxime-se” – fala uma voz.
– Quem é você? – indaga o garoto, bastante curioso.
– “Nós sentimos deveras termos acordado você.”
– “Somos todos sapatos e uma sandália companheira nossa, e estamos num bate-papo habitual. Sou conhecido, como você está careca de saber, o Pestalozzi, sapato tradicional na sua família.”
– Você é mesmo um sapato que fala…que…
– “Exatamente!” – responde Pestalozzi. – “E agora, se me permite apresentar…”
– Vocês sempre conversam? Como nunca notei? – replica o menino.
– “Não me interrompa, rapaz!”
– “Vou lhe apresentar o resto da turma. Este é…ei Sam, acorde!”
– “Que foi? Que aconteceu?”
– “Gostaria de lhe apresentar um novo amigo. Se não me falha a memória…”
– Memória?
– “Sim! Seu nome é Tom, não é mesmo?”
– É, mas como sabe?
– “O que mais se escuta nessa casa é o seu nome. Como estava falando, este é Sam. Sam este é Tom.”
– “Todos chamam-me Sam, mas meu verdadeiro nome é Sammsty.”
– Sim, bonito nome.
– “Aquele outro dorminhoco é Brown.”
– Foi um imenso prazer falar com vocês…
– “Tom, você esqueceu de conhecer a sandália Susie.”
– Desculpe-me. Foi um prazer conhecê-la e a todos vocês também. Mas, digam. Vocês estavam falando de quê?
– “Nós estávamos discutindo os nossos direitos, tentando solucionar os nossos problemas” – diz Pestalozzi.
– Quais são seus problemas?
– “Somos todos forçados a levar uma vida dura, difícil, desonesta, infame, miserável…”
– Mas…vocês querem…
– “Nós não queremos nada em demasia, queremos limpeza, lugar adequado para se dormir,…aqui, por exemplo, é um lugar exposto, ou seja, qualquer pessoa chuta-nos, puxa-nos…”
– Entendo; se é esse o problema, de hoje em diante…
Tom calou-se, pois ouviu alguns passos vindo da direção do aposento de seus pais.
– Tom! – chama uma voz.
– Sou eu papai!
– O que está fazendo?
– Eu…não estou fazendo nada.
– Tom…
O pai de Tom aparece e o faz deitar-se novamente, dizendo que só se pode brincar de “Drácula” pela manhã.
Ao amanhecer, Tom lembrou-se do ocorrido, não sabendo se o que se passou teria sido verdade ou não.
Ao dar um pulo da cama, ouviu a voz da sua mãe:
– Já não falei para não espalhar estes sapatos, menino?
– “Terei sonhado tudo isso?” – ponderou.
– “Talvez eu tenha sonhado mesmo.”
Segundos depois, todos os sapatos estavam devidamente em seus lugares, o que para a mãe de Tom foi um milagre.

Uma fábula de grande destaque na Bienal.
O que será que os meus sapatos falam de mim quando estou fora,depois de ler essa história vou ter mais cuidado com eles falam de mim .Ficarei atento
O que será que os meus sapatos falam de mim quando estou fora,depois de ler essa história vou ter mais cuidado com eles falam de mim .
amei
parabéns
nota
1000
Adorei!!
Eu achei bem criativo!
Belíssima. Grande destaque. Parabéns.
que barato!!!
que legal parabéns
muito bom!!!!
Curti muito esse texto. Aposto que vai ser a sensação da Bienal
Tá uma ótima História,muito facil de entender.
Texto surpreendente.
Essa históra tem muito valor literário. A caracterização do personagem como ser humano, inclusive nos nomes e nas palavras.
que legal uma historia muito criativa parabéns!!!
As crianças têm uma imaginação fantástica, e os escritores de ficção também. É como se fossem ainda criança. E de certa forma precisam mesmo serem. Parabéns, sr Bartolomeu Pinheiro
Que bacana!!! Esse garoto é mesmo virado. Ainda bem que ele recebeu uma lição de moral.
QUE HISTÓRIA LEGAL! Acho que Toda criança na vida passou por situações como esta, imaginiosa como a de TOM. E você conta esta história como se fosse uma, criativo demais. PARABÉNS.
Levando ao nosso cotidiano,muitos de nós seres humanos podemos nos colocar no lugar destes sapatos.Infelizmente existem pessoas que levam uma vida miserável,sem dignidade,ao “Deus dará”e não tem quem olhe por elas,quem as escute.Pra que dois ouvidos se muitos fazem que não as escutam?
O que a imaginação de uma criança não faz! Este conto foi muito importante, gostei. eu ate hoje as vezes embarco nesse mundo imaginário assim como a criança do conto
O que a imagimação de uma criança não faz! Este conto foi muito importante, gostei. Eu até hoje as vezes embarco nesse mundo imaginário assim como a criança do conto.
Estraordinária! Um texto de muita simplicidade e dedicação à arte. Incrível.
sensivel essa é maravilhosa
Amei o texto, o modo como terminou ficou muito legal “Talvez eu tenha sonhado mesmo. Pensa Tom”.Eu amo esse tipo de suspense. Nossa tá de parabéns pela criatividade, pela competência, tenho orgulho de dizer que você é meu proª.
Parabéns……….