- jul
- 01
- 2009
Entre a Gaveta e o Coração
Categorias: Histórias
História de Bartolomeu Pinheiro de Lira
Remexendo as gavetas, me lembrei de certo apartamento onde moramos. Não é uma foto ou documento que me traz à tona nossa passagem por lá. Aparentemente algo tão insignificante e comum que dificilmente despertaria maior atenção, não fosse determinada característica que ela possuía.
Quando vi aquele bichinho pela primeira vez, não dei muita importância. Sempre chegava à noite do trabalho, cansado e faminto. Abria a porta maquinalmente e mal observava os detalhes, como era do meu feitio. Me preocupava apenas com a direção da chave e pronto, entrava e fechava a porta. Mas, com o desgaste da fechadura, comecei a dar uma maior atenção, uma pausa a mais. Foi quando dei de cara com uma aranhazinha. Ela não correu de imediato, quando girei a chave. Ficou me olhando cautelosamente e parecia balançar a cabeça, como uma lagartixa. Era tão minúscula que dificilmente eu poderia descrever sua reação a olho nu. Tratava-se de uma suposição. Segundos depois ela se escondia num buraquinho na madeira da parede. E isto foi tudo.
Nas noites seguintes, sempre que chegava, tomava o cuidado em não assustar a aranhazinha. Ela também tinha que ficar atenta para não ser espremida quando a porta fosse fechada. E formou-se um elo entre nós, um respeito mútuo, uma dedicação, e por que não dizer, uma amizade. Ela parecia sempre atenta aos meus passos, ao meu horário, ao cheiro do meu perfume! Minha esposa não acreditava fielmente nas minhas observações. Ficava sempre desconfiada, descrente, e muitas vezes até enciumada. Sim, porque nem sempre me dirigia a ela. Ficava parado na porta, observando se a aranhazinha iria entrar, se esconder dos predadores. Sempre apareciam insetos e bichinhos oportunistas. Era bom não vacilar.
Os meses foram passando e nossa amizade foi ficando mais firme. O carinho dela comigo foi estendido à minha esposa. A coisa ficou tão séria que tinha flagrado o bichinho se alimentando e, quando minha esposa abriu a porta para me receber, ela parou tudo e pulou em seu pulso, numa autoconfiança de surpreender. Ficamos perplexos. Parecia um pulo de satisfação. A aranhazinha ficava nos observando, olhando para um e virando para o outro. Um animalzinho de estimação. Coisinha fofa.
Certo dia, tivemos que viajar, passar alguns dias fora. Rolou uma preocupação. O que fazer agora? Pensamos em levá-la conosco. Mas onde a deixaríamos? Ela estava acostumada com aquela casinha. O clima para onde íamos era mais frio. Tudo isso pesou em deixá-la onde estava. Mas era o melhor para ela. São apenas alguns dias!
Vou confessar: senti saudades. Verdade! Era como se tivesse deixado para trás um ente querido, um amigo, sei lá! Talvez fosse uma paranóia. Ficava olhando para porta, sem acreditar que ela não estava ali. Ia ao banheiro. Mas era em vão procurar. Nada havia naquela porta.
Resolvemos antecipar nossa volta. Ficamos envergonhados em assumir a saudade daquele bichinho. Se ele precisava de carinho, se algum inseto o pegasse…
Ao chegar, corremos em direção à porta, não à fechadura. Nem chegamos a abrir a porta. Nada. Nem sinal. Esperamos desesperadamente. Resolvemos abrir a porta, fazer barulho. Nada e nada. Olhamos para o alto. Havia uma pequena lagartixa que nos olhava assustada. Imaginei que ela a havia devorado. O bucho cheinho e transparente. Chegamos tarde demais. Ficamos frustrados pela desatenção e tristes pelo falecimento do nosso bichinho de estimação. Tive uma ideia! Afinal, a esperança é a última que morre. Adentrei no nosso quarto e apanhei o frasco de perfume que costumávamos usar. Passei em uma das mãos e esperei pelo resultado. Incrível. Ela colocou a cabecinha do lado de fora do buraquinho, feliz da vida. E como foi gratificante aquele encontro! Ficamos até emocionados. Parecíamos pinto no lixo.
Mas tivemos que deixar o apartamento. Tomamos a decisão de transportar a aranhazinha conosco. Ela teria que se adaptar à nova residência. Cavaríamos um buraquinho só para ela. Não mais na porta, mas na gaveta. Protegida dos predadores e dos homens.
E é ao abrir a gaveta que lembrei do apartamento. Sim, porque é nela que se esconde o bichinho, num buraquinho bem no fundo, pra não ser incomodada. Ela vive bem feliz lá dentro. Faço tudo por ela. Quero que ela viva sempre em paz. Não quero que ela sofra. Ela mora na gaveta, no meu apartamento, no meu coração. Porque desde aquele dia da viagem, ao chegar, não a encontrei jamais.

É uma história muito boa que fala de um amor de uma pessoa por um animal que no texto é representado por uma aranha.
Muito legal sua historia! Parecia que tava vendo um filme na minha cabeça adorei meesmo! Parabéns!
A-M-E-I-! é uma história gostosa de ler, é linda e, sem exagero, emocionante!
●๋•Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ•● ●๋•Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ•●lindo de mais adorei mesmo a gaveta das lembranças fantastico●๋•Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ•● ●๋•Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ•●
TE ADORO Profº
ADOREI FALA QUE QUANDO ELE MECHJE NA QUELA GAVETA LEMBRA DE TODOS
achei está história maravilhosa muito bem professor vc dar pra ser escritor
Muito boa história!
muito comovente!
Achei adoravel e emocionante!!
Esta história me fez chorar. Linda linda.
gostei parabéns
muito bom!!!
parabéns
Essa história é bastante comovente o Amor de uma pessoa por um ser tao pequenino. No decorrer de nossas vidas passamos tanto tempo pensando em nós mesmas que esquecemos das pequenas e simples coisas que fazem parte da vida.
Esta história é uma das mais lindas que já li.
Uma história bonita e cativante.
Que romântico! Muito criativo.
O que eu achei incrível, entre tantas outras coisas incríveis da história.Depois nos comove, porque achamos que a aranha tinha morrido.poriso e muito bom.
parabéns que história mas bonita.gostei muito.
O que eu achei incrível, entre tantas outras coisas incríveis da história, foi a capacidade do escritor nos enganar. Em certo momento ele nos convence que tudo dará bem. Depois nos comove, porque achamos que a aranha tinha morrido, e não morreu. E por fim, afirma que ela morreu mesmo. Mas muito sutilmente. E ainda nos deixa em dúvida se a coisa aconteceu mesmo ou era mera comparação. Grande história. Muito obrigada!
que estranha relação em!!!! parabéns amei
Uma grande lição de amor. Belo texto, Bartolomeu
Um texto extremamente carinhoso. Lindo.
Realmente na nossa vida precisamos de uma gaveta onde possamos guardar apenas as coisas boas.As ruins devem ser colocadas de lado, pois a gaveta fica dentro do coração. Parabéns!
Eu adorei o conto entre a gaveta e o coração,pois retrata a estranha relaçao entre um homem e uma aranha.É dificil acreditar que existem pessoas que goste desse tipo de animal.Eu por exemplo gosto muito de gatos.Mais cada pessoa tem um gosto diferente uma da outra.O conto é engraçado mais muito triste no final. Euqueria que a aranha não morresse no final do conto. P rofessor eu lhe desejo boa sorte na Bienal.
oi.parabens pelo sucesso da sua literatura pernambucana que é bastante rica. um grande beijo…
Parabéns. Você é demais. Gostaria de ter uma imaginação como a sua, com todo o respeito! Estarei na Bienal para lhe conhecer.
Esta é uma história que nos faz refletir sobre a nossa vida,sobre como estanos conduzindo ela.Muitas vezes a correria do dia a dia nos faz esquecer de valorizar pequenos momentos,detalhes que muitas vezes complementariam nossa felicidade.
otimo vc esreve otimo pois me pareceu muito expirado neste conto.
é uma história de amizade que nem a distância conseguiu acabar,uma amizade verdadeira.
eu gostei muito dessa história porque ela é muito emocionante,e é muito cativante porque quando nós e o personagem, pensávamos que a aranhazinha estava viva na verdade a aranhazinha estava morta,mas na verdade a aranhazinha estava viva mesmo no coração do personagem.
que historia encrivel,numca pensei que uma aranhasinha,podece causar tanta emoçao.isso e a prova que e para sempre.
pocha que historia linda,mas ao mesmo tempo um pouco emocionante,realmente o altor deste texto,deve uma encrivel imaginaçao!adorei!!!
HISTORIA COMOVENTE NOS FAZ REFLETIR SOBRE A SENSIBILIDADE AINDA EXISTENTE NO HOMEM.PARABENS!!!
UM AMIGO É UM IRMÃO QUE DEUS TE DEU A OPÇÃO DE ESCOLHER!
ADOREI!!
MUITO BOM, BARTOLOMEU!
Em primeiro lugar parabéns pelo seu talento adorei a historia muito criativa.
interessante!muito interessante!parabens!!
professor essa história e muito interessante gostei muito de ler..
além de ser engraçada é bastante interessante este conto.aprendemos que amizade não se escolhe e sim ganhamos ela de uma forma inesplicavél.um grande abraço prof.
AMEI!!!!!!!!!!!!!!LINDA…
Nusaa Professor essa hstória é maravilhosa eu amei o senhor está de parabéns
Linda história, parabéns mesmo.
Adorei…Foi uma das histórias mais bonitas que já li.É incrivel como a história nos envolve emocionalmente, quando comecei a ler parecia que eu estava lá assistindo tudo bem de pertinho. Isso é mais do que uma HISTÓRIA é uma LIÇÃO DE AMOR PARA COM OS ANIMAIS.
Parabéns para o autor,ele tem um talento e uma imaginação incrível.
É,esse texto é uma obra de arte juntando beleza e muita tecnica para se organizar um texto assim!!!
e´uma historia singela de um grande altor.
Uma história inteiramente imaginativa.Mas chega até a convencer que tenha de fato ocorrido. Há sinais que o autor tenha escrito com o coração. Grande artista
eu acho que vc tem muita criatividade.eu achei que este testo e muito criativo bjs.