- jul
- 01
- 2009
Felicidade Metálica
Categorias: Histórias
História de Bartolomeu Pinheiro de Lira
O apito ainda corria longe, mas Zezinho já fazia carreira antes da molecada da rua se prontificar. Ninguém gostava acima do menino. Sua vida era ver e escutar aquele pedaço comprido de ferro que fazia tremer o chão e trazia animação para a garotada. Quantas vezes sem conta ele saiu do banho ainda molhado, irritando a paciência de sua mãe que o aguardava na varanda, por onde iria sem dúvida passar? No fundo ela também gostava e ficava ali pra isso.
Fazia quase dez anos da inauguração, mas era como a primeira vez. Zezinho tinha lá seus três anos quando ficou seduzido. Queria ser “motorista” de trem. Isso naturalmente interferiu nos seus ideais de vida. Queria a todo custo trabalhar na estação para se adaptar ao serviço do trem. Diziam-no ser de menor idade, que esperasse mais um pouco. Mas não tinha paciência: tal como o trem, era apressado. Pediu para ser um simples ajudante sem compromisso. Caso a pensar, mas não pensaram muito: deram a vez ao garoto. Foi o dia mais feliz de sua vida. Agora via a realidade mais de perto, seu sonho mais real, possível.
Longos anos se passaram e Zezinho era de maior idade, Outro grande dia de sua vida. Assumiu o cargo de ajudante e, logo em seguida, o trem. Não faz-se necessário descrever a alegria de Zezinho. Aquele pedaço comprido de ferro que tantas vezes correu para ver, era seu. Guiava deslumbrado e descobria o preço da felicidade. Dia após dia o trem seguia seu rumo metálico que levava alegria a muitos Zezinhos. Lembrava do passado, ao ver aquela molecada correndo. Lamentava que sua felicidade dependia da não-realização de alguns Zezinhos. Pudesse haver tantos trenzinhos…

vc faz ótima histórias por isso vai esta homenagem:Ronaldo!!!!!!!!!!