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BLOG DO BIENALDO

  • jul
  • 06
  • 2011

Artigos Sobre Mauro Mota

Categorias: Blog do Bienaldo

“Seu Melo, Mauro e João”


por Selma Vasconcelos*
Selma_vasconcelo@uol.com.br

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque, o nosso poeta Mauro Mota, membro e presidente por dez anos da Academia Pernambucana de Letras, foi também eleito para a Academia Brasileira de Letras em Janeiro de 1970.

Comemorando mais esta vitória, o Recife o homenageou com um jantar concorrido pelos intelectuais, políticos, religiosos e senhoras da sociedade. A comilança foi preparada pelo amigo gourmet, Luis Dias, que recebeu louvação do homenageado pela sua art de cuisine. Na mesma fala, referindo-se ao escrutínio na ABL, Mauro Mota fez referência a João Cabral: “O primeiro voto que recebi veio de um grande poeta, que se fez do mundo com uma obra de temática nordestina: o primo João Cabral de Melo Neto, bisneto do meu também bisavô, Francisco Antonio Cabral de Melo, antigo senhor do Engenho Tabocas, em São Lourenço da Mata.

Seu Melo do Engenho Tabocas, era filho do português João de Melo Azevedo, vindo dos Açores (embarcadiço e clandestino), que fez dinheiro entre Pernambuco e Paraíba e fundou com Tereza de Jesus Cabral de Vasconcelos, nascida em Mogeiro (PB), o clã Cabral de Melo.

O perfil do senhor do engenho Tabocas, Mauro Mota registrou na sua coluna, Agenda (DP 3/11/1966): “Era um homem de qualidades antagônicas, uma figura áspera e doce, terna e violenta, grave e chistosa, patriarca, ele mesmo levando na pilheria o patriarcado, o que era uma forma de ver adiante do seu tempo”. São muitas as histórias hilárias de seu Melo que fazem parte da memória oral da família e que recolhi em meu livro João Cabral de Melo Neto – retrato falado do poeta (2009).

Por sua vez, João Cabral eternizou a figura do bisavô paterno, no poema, Seu Melo do Engenho Tabocas, dedicado ao primo Mauro Mota.

O poema refere-se a uma astúcia de seu Melo, ao ficar vigiando uma conversa, autorizada por ele, entre a filha Candinha (versada no idioma francês) com um mascate de Madagascar. O velho só esperava um deslize do gringo para meter-lhe a bengala!

Alem de “relatar” esta proeza de Seu Melo, João Cabral cunhou assim a figura do bisavô: Pau-d’Alho, onde ele falava alto/ do alto do vozeirão, das botas/ da boca Melo Azedo, mortal/ mais que as circunstantes pistolas.

* Selma Vasconcelos é da Sociedade de Médicos Escritores.

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“Presença Definitiva”

por José Mário Rodrigues*
jmrrodrigues@yahoo.com.br

Ele esteve sempre presente nas reuniões da Academia Brasileira de Letras, no Rio. Numa dessas idas e vindas, trouxe o meu livro de estreia A estação dos ventos, com capa de João Câmara e publicado pela Editora Cátedra, de Moacir C. Lopes, autor de A ostra e o vento, Maria de cada porto e tantos outros romances que foram sucesso um tempo, quase não foram republicados e estão nas Bibliotecas Públicas, hibernando suas importâncias na literatura brasileira. Bem que eu poderia ter estado em casa, quando ele chegou, para receber das mãos de um poeta maior a minha publicação.

Infelizmente não aconteceu. Perdi a cena. Não esqueci o texto. O admirava muito. Todo Pernambuco também. Dono de uma produção em tom maior, sem altos e baixos, não conheço nada ruim que ele tenha escrito. Quem escreve poesia, sempre anda numa linha sinuosa. Ele foi equilibrado: a emoção no lugar certo. Navegava bem em prosa e verso. Se estivesse vivo estaria completando 100 anos. Comemoramos a data, mas os centenários sempre deixam um vazio, pois, geralmente, os homenageados estão mortos. Se vivo fosse, todas as bandeiras deveriam ser hasteadas.

Estou falando de Mauro Mota. Ele esta vivo nos seus leitores. Não são muitos, é verdade. Leitor de poesia é coisa rara. Depois, os livros didáticos trocaram os grandes poetas por compositores de música popular. Até em capas de cadernos são veiculadas fotos de celebridades da mídia televisiva. Qualquer big brother tem mais evidência do que Machado de Assis.

Escritor e poeta parecem fora da validade. A ignorância insiste em dominar a aldeia. “Nós vai, nós anda”, mas não chegaremos nunca. Isso me lembra um verso do poeta português José Régio: “A minha vida é um vendaval que se soltou …/ não sei pra onde vou não sei por onde vou/ sei que não vou por aí.” Mas isso é outro papo. Eu quero é mesmo louvar Mauro Mota. E por isso louvo O galo e o cata-vento, Os epitáfios, O canto ao meio, As elegias, livros definitivos na poesia brasileira. Faço questão de louvar os poemas Boletim sentimental da guerra no Recife, A tecelã, Domingo no Recife que sejam sempre lembrados e lidos. Como dizia Padre Vieira “as palavras entram pelos ouvidos, as obras pelos olhos”.

O companheiro, poema escrito em 1962, vai e volta na minha cabeça: “Quero deixar-me longe/ Separar-me de mim/ Abandonar-me. Ser-me estranho/ Parto mas onde chego me reencontro/ Despeço-me de novo e me acompanho”.

José Mário Rodrigues é escritor.

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DEPOIMENTOS



"Acho importante porque essas feiras sempre são cheias de gente, crianças. É muito importante. É muito bom que essas têm acesso ao mais diversos tipos de livros. Em relação a Ciência, é bom as pessoas entenderem os planos futuros e a capacidade de impactar o futuro." Miguel Nicolelis – neurocientista



"Eu acho que uma feira dessas é importante para a difusão dos livros, que é o veículo da literatura. É fundamental e, felizmente, está cada vez mais presente no país. É fabuloso." Joca Reiners Terron - escritor



"Eu acho que a Bienal já está consolidada no calendário cultural da cidade. É um dos eventos que colocam o Recife em uma posição destacada nesta área." Homero Fonseca - jornalista e escritor