VI Bienal do Livro de Pernambuco

05 a 14 de outubro de 2007
Centro de Convenções de Pernambuco

13.10.2007 - 9:35

Blogueiro encara versão impressa

Blook é o termo usado nos Estados Unidos para definir um fenômeno editorial que ganha corpo no mundo anglo-saxão: o dos livros originários de blogs da internet. Já existe até um certo Lulu Blooker Prize, prêmio que destina U$ 15 mil para os melhores experimentos do gênero nas categorias ficção, não-ficção e webcomic. Por enquanto, são raros os blogueiros brasileiros que encaram a migração da tela do computador para o papel impresso. O pernambucano Pedro Fonseca é um desses aventureiros: neste sábado, às 17h, ele lança nos jardins do Centro de Convenções, durante a 6ª Bienal Internacional do livro, o blook Língua do P (independente, R$ 30).

Desde 2005, Pedro Fonseca mantém na internet o blog Língua do P (www.linguadop.com.br). É daí que vem os textos reunidos nesse que é o primeiro blook publicado em terras pernambucanas. A transposição não implica em qualquer correção ou adaptação radical da palavra escrita. Pelo contrário: o autor prefere conservar o caráter espontâneo e imprevisto dos “posts” originais, com direito a erros de digitação, de gramática e de concordância comuns ao ato de escrever na internet.

Há, no entanto, uma diferença básica entre blog e blook: o trabalho gráfico dos designers Daniel Pinheiro e Matheus Barbosa, dois profissionais especializados em revistas e livros que desenharam as páginas impressas de Língua do P. Eles brincam com as letras e as palavras e transformam os “posts” em verdadeiros poemas concretos. Fazem isso sem comprometer - na maioria dos casos - a fluidez do texto de Pedro Fonseca, qualidade pedida pela mídia original que não se perdeu na versão impressa.

No prefácio de Língua do P, o jornalista Geneton Moraes Neto sintetiza o sabor da escrita desse blogueiro, músico e publicitário: “PF cultua virtudes que fazem bem a quem vive de tecer frases: um senso de humor, uma pitada de ironia, uma queda pelo lirismo na hora certa. O texto corre solto, dispensa o tom pomposo. É assim que deve ser”. Geneton também chama a atenção para uma verdade comprovada por blogs (e blooks) como de Pedro Fonseca: “o império da internet fez, entre tantos outros, um grande favor a este começo de século: bem ou mal, restaurou o hábito de escrever. Nunca se escreveu tanto”. PF quer nos provar o seguinte: pode ser na tela do computador, pode ser na folha do papel em branco, não importa, crianças. O importante é voar com as palavras. Sempre foi assim. E assim há de ser”.

Fonte: Renato L/Diário de Pernambuco

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