14.10.2007 - 9:35
Palestras abordaram as múltiplas faces da literatura
Se a VI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco já pode ser considerada um sucesso devido ao volume de pessoas que freqüentaram o pavilhão do Centro de Convenções, o mesmo pode ser dito do lado teórico da feira literária.
Com uma programação rica em palestras, lançamentos de livros, exibição de filmes e apresentações culturais, a Bienal colocou o fazer literário no eixo central das discussões, ao focar a literatura sob o aspecto de seus diálogos e interfaces com outras mídias.
Ao longo de dez dias as palestras da Bienal discutiram as relações da literatura com o teatro, o cinema, os quadrinhos, o humor, a história, a televisão e a política. Seja no Auditório Clarice Lispector, em uma conversa mediada pelo Café Colombo, no escuro da Sala do Cine Letras ou debatida na arena do Espaço Universitário, o público que participou das palestras pode conferir as diferentes facetas e idiomas do fazer literário.
A Bienal apresentou uma literatura que pode ser a voz da periferia, pelas obras de Ferréz, pode ser pop nos textos de Santiago Nazarian, teatral nos contos de Marcelino Freire ou filosófica nas doces palavras de Márcia Tiburi. No auditório Clarice Lispector a literatura foi música com Lirinha e exemplo na aula espetáculo de Ariano Suassuna. Também foi sexual e provocativa nos textos da escritora alemã Ariadne von Schirach e serviu como ponte de diálogo entre Brasil, Portugal, França, Alemanha, Suriname e Venezuela. Foi o sentido do ódio de Nelson de Oliveira e da vida de Moacyr Scliar.
Para Homero Fonseca, o coordenador de conteúdo da Bienal, esse formato interdisciplinar da literatura, que norteou o eixo temático das palestras, foi uma experiência positiva. “A interação e a receptividade do público foi muito boa. Acredito que esse formato deva ser levado adiante”, comentou o escritor, que lançou seu segundo livro de ficção, Roliúde, durante a feira.
Crédito da foto da capa: Hans Von Manteuffel