- jul
- 01
- 2009
O Pacote
Categorias: Histórias
História de Bartolomeu Pinheiro de Lira
A loja fechou. O pacote foi esquecido e o dono não veio apanhar de volta. Foi encontrado num canto do provador de roupa. Era pequeno, pesado e muito bem embalado. Não se podia se saber de fato o que era.
No dia seguinte, todos ficaram na expectativa da procura pelo volume. Nenhuma aparição do possível proprietário do mesmo. O clima de curiosidade se manifestou entre os funcionários. Cada um lançava uma hipótese sobre o conteúdo, formavam apostas e grupos de acertos. Muita frustração quando a loja fechou novamente. Os funcionários saíram xingando, irritados e muito ansiosos com tal fato. Muitos deles não tinham nem conseguido dormir direito, assombrados com o que poderia conter naquele embrulho.
Ética. Responsabilidade. Respeito ao cliente. A dona da loja não queria se precipitar em abrir o conteúdo. Esperar e esperar. Isso é uma falta de consideração grosseira com os funcionários. Onde já se viu respeitar um estranho e desrespeitar os funcionários? Que nada! Pensou-se em convocar uma reunião extraordinária ou consultar o sindicato. Alguém precisaria tomar uma atitude urgente. O autoritarismo patronal é uma ameaça ao bom desempenho do funcionalismo. Vivemos num país democrático e o direito de expressão do pensamento merece ser respeitado. Mas a classe não se organizou e baixou a cabeça, seguindo as orientações do bom senso.
O terceiro dia veio acompanhado de mau humor geral. Os funcionários trabalhavam divididos em dois grupos: os que acharam conveniente a prudência em esperar por tempo indeterminado e os que aprovaram uma abertura imediata do pacote. Os grupos se desuniram num ponto máximo, ao ponto de se evitarem, circulando nos departamentos numa atitude de estranheza e indiferença. Muitos deles andavam cabisbaixos, para não cruzar a vista com determinados colegas. Os colegas a favor da abertura eram considerados de esquerda e os adversários, da direita. Ninguém se entendia mais.
Ao término da primeira semana, aconteceu o inesperado. Houve uma queda brusca nas vendas da loja. Criou-se mecanismos para atrair mais clientes. Planos de ação em propaganda, promoções, brindes e grandes lançamentos de produtos de última geração e coisinhas da moda. A sorte foi lançada.
Enquanto isso, a polêmica do abre não- abre do pacote ultrapassou fronteiras da empresa, chegando aos ouvidos das outras empresas locais, inclusive das concorrentes, que se aproveitaram da situação para tirar algum proveito. Essas empresas articularam um pacote de convites aos grupos de esquerda, que eram os que de fato estavam mais insatisfeitos com o ocorrido. Secretamente incutiram na cabeça desses grupos a vantagem em pular a cerca e mudarem de time.
No final da segunda semana a queda nas vendas foi tão violenta que já se falava em demissão. Os possíveis demitidos seriam os mais novos, devido ao custo da rescisão de contrato. E justamente os mais novos eram os que pertenciam ao grupo da direita, que tinham apoiado a não-abertura do pacote, em defesa da dona da loja, num gesto de puxa-saquismo e temor pelo desemprego. Se sentiram ameaçados, injustiçados, indefesos e magoados. A humilhação tomou conta de todo o grupo. Alguns até adoeceram. A situação se complicou ainda mais.
A crise financeira na terceira semana após a questão do pacote se agravou por completo. Atraso nos salários, corte de gastos, redução na jornada de trabalho e férias antecipadas. Tudo para se evitar falência.
A crise perdurou por três meses. Marcou-se uma reunião de emergência. Uma lista de argumentos foi mencionada. Nada se poderia fazer. A demissão de todos os funcionários aconteceria dentro de um mês. Todos estavam de aviso prévio. Encerrou-se a reunião. A tristeza era geral. A dor reuniu os grupos de direta e esquerda. As lágrimas escorreram nos olhos direitos e esquerdos, involuntariamente.
O último dia foi de muito trabalho. Os departamentos foram desmontados e transportados em grandes caminhões. Toda a mobília removida também. Cada objeto, cada pedaço do ambiente. Muitos papéis espalhados pelo chão, sem importância alguma. Formou-se uma montanha de empilhados. Nada mais fazia lembrar o aspecto da loja anterior. Nada, a não ser um pacote que havia sido esquecido pela dona da loja no meio daqueles papéis. Afinal, esquecer não é algo que podemos fazer, é algo que nos ocorre ou não.

NOSSA PO FICO EMPRESSIONADA COM AS SUAS HISTORIA TODAS SAO MARAVILHOSAS!!!!!!!!!
Muito boa!!
Que curiosidade!
rs…
O final foi incrível. Mas o mistério continuou. O que havia de fato no pacote? Alguém conseguiu saber?
otimo gostei!!!
bom muito bom mesmo!!!
parabéns!!!
Esta técnica da curiosidade no contexto realmente foi muito boa e não é pra todo mundo. Ela foi utilizada com muita habilidade pelo escritor Bartolomeu pinheiro. Ele foi genial.
O Pacote é mesmo muito criativo. Já li algumas histórias deste autor aqui no site da Bienal e ele é mesmo muito talentoso. O final da história é muito esperada. Nos deixa ainda mais curiosos. Deixa uma brecha para a curiosidade. Parece quase inacabada. Quem sabe haverá O Pacote II?
Concordo plenamente com o comentário acima, de Yasmin. Esse texto é muito cativante. Faz o leitor ter paixão pela leitura.
parabéns, seus contos me surpreendem, tanto talento e criatividade chega a cativar o leitor!
foi enteresante pois o texto muito bem expricativo.
Texto muito bem elaborado.
muito bom coiste pra vale é algo que nos ocorre ou não.
Nos faz refletir sobre nossos valores.
Quero trocar!
Será que tem segredos de Hitler?
Quero trocar!
meus parabens
coitados do funcionarios,ninguem escolhe ser curioso.esperta adona da loja.ficaria no grupo dos que queriam abrir o pacote.sou muito curiosa.kkkkkkkkk
É preciso muito talento para captar a atenção dessa forma num conto (ou crônica?). Bom talento!
maravilhoso,surpriendente boa muito boa!!!
foi muito legal bastante interesante e aproveitodo
História fantástica e surpreendente.
Interessantíssimo, rapaz! O que um pacote não é capaz de fazer, hein?
Muito interesante Bartolomeu, porque do mesmo geito que “essa empresa falio” por causa da curiosiade iso tambem acontese com muitas familias, comunidades, amizades, e etc. Parabês!!!
A história é ótima,mexe muito com a curiosidade e criatividade do leitor mas sem deixar de mostrar sentimento.Nos faz refletir sobre nossos valores.
É muito curioso este conto, ele é bem humorado e, mostra que por pouca coisa pode-se acontecer coisas incríveis. Como vemos, tivemos uma empresa fechada; tudo por cusa de algo que poderia ter se resolvido de uma forma simples.
sua aluna:
Estou morto de curiosidade. Afinal, o que havia no pacote? Vou passar a noite pensando nas possibilidades do poderia haver no pacote. Será que tem segredos de Hitler?
gostei muito só que cansa é muito longo mesmo assim gostei muito
Um suspense com o final inesperado.
Logo de inicio queremos saber o que tinha no pacote, depois a situação dos funcionários e por fim a loja. Maravilhoso!!!
Parabéns!!!!!!!!!
a curiosidade matou o gato e essa destruiu muitas amizades…e nem sabiam o que tinha no tal pacote,ou seja,todos brigarão por nada!
“Afinal, esquecer não é algo que podemos fazer, é algo que nos ocorre ou não.”
MUITO BOM!
a historia foi boa o professor soube narrar bem e soub edar bem curiosidade ao leitor! legal
Um muito bom gostei vou escrever pra mim gostei muito mesmo. nao é por que
o senhor o meu professor, é por que
eu gostei mesmo
pocha professor.graças a deus o senhor tem um cerebro muito magnifico.meus parabens continui sempre assim!