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Histórias

  • out
  • 11
  • 2009

Sonho

Categorias: Histórias

História de Sandra Arruda

O meu sonho é assim,
nem tão grande, nem tão pequeno
O meu sonho é colorido
Sonho com ele todo o dia

No meu sonho tudo é possível
Não há limites, nem tristezas,
Nele podemos até voar
Basta sonhar

O meu sonho é sonhável
É amável, desejável.
Não quer deixar de sonhar esse sonho
Eu tenho que sonhar esse sonho

O sonho meu, o sonho teu
O sonho da liberdade, do amor.
O sonho que devo sonhar
O sonho que queres sonhar

  • out
  • 11
  • 2009

Reflexão

Categorias: Histórias

História de Nilda Albuquerque

Sinto que a noite me olha,
e surssura lenta para mim,
são assovios de vento.

Sinto tímidas estrelas
que a noite encerra,
como pequeninos olhos.

Sei que ela guarda-se para mim,
não sei se como revelação
ou se como esconderijo.

  • out
  • 11
  • 2009

Palavras perdidas

Categorias: Histórias

História de Guedes

O papel
A caneta
E a saudade

Tentando te decifrar
Te guardar
Manter
Em qualquer outro lugar
Evadido da minha memória

Algumas linhas
E este rabisco
Foi o que restou
De um tempo
Onde entre eu e você
Apenas o desejo

Sem testemunhas
No relento da noite
Acolhedora e serena
Repousei minh’alma

Nos teus braços
Adormeci
Sonhei
Te amei
Não acordei

Recolhi
O pouco que sobrou
Cristalizei
A lembrança de um tempo bom

Fiz
Do teu sorriso a moldura
De você minha eterna pintura

Inacabável
Inalterável
Empoeirada.

  • out
  • 11
  • 2009

Solidão

Categorias: Histórias

História de João André

Só eu vivo
Uma lona vida
De alva incerteza e solidão

De minha vida o melhor abeberaram
Sou hoje apenas o corpo
Pois a alma a muito se foi

Desoladamente vivo
Esperando meu último suspiro
Qando o anjo da morte abater-se sobre mim
Libertar-me-ei desta solidão.

  • out
  • 11
  • 2009

A Paz

Categorias: Histórias

História de Sandra Arruda

Eu quero dize-te tanta coisa
Eu quero que devolva a minha paz
Quando disse adeus levaste contigo o meu riso
Que já não era lindo

De noite eu sonho contigo
Nem ali consigo ter paz; Fecho os olhos.
E quero falar, mas não consigo.
Minha alma grita você não escuta

Oh, paz, paz, paz.
Onde anda a minha paz
Nunca tive e nunca terei,
Esperança agora eu sei

Devolva a minha paz,
escuta a minha alma.
Feche os seus olhos,
Eu quero sorrir.

  • out
  • 11
  • 2009

A Vida Gosta de quem Gosta Dela

Categorias: Histórias

História de Sandra Arruda

A vida da gente tem cor
A vida é da gente
A vida parece do jeito da gente
A vida gosta de quem gosta dela

Não pense que sabe da vida
A vida que sabe da gente
Cuidando dela como se fosse da gente
A vida gosta da gente

Não tente enganar a vida
A vida tem olhos ela é gente
Se a vida fica triste
A vida fica doente

Agora se queres ser feliz
Cuida da vida que a vida cuida da gente
A vida é uma criança
Boba, doce e inteligente

  • out
  • 11
  • 2009

Uma vida encontrada

Categorias: Histórias

História de Eneida Simas

Depois de muitos anos sem percepção do seu eu, de sua imagem, por falta de respeito próprio ou por inercia, ela reencontrou a sua fugidia vida ao dobrar uma esquina e deixar que a chuva que caia naquele momento a molhasse e a levasse para o abrigo de braços e sorrisos abertos que a fez despertar e saber que era importante e necessária para a existência terrena…Salve o amor como tal.!

  • out
  • 11
  • 2009

Caxangá – Conde da Boa Vista

Categorias: Histórias

História de Sadhana

Caramba, 7h40min. Tá lotado. Olhares no vazio. A moça dorme atrás dos óculos de sol, o rapaz cochila com a bolsa pronta para passar o dia no trabalho, a senhora de rosto melancólico fecha os olhos e parece pedir aos céus a resolução de seus problemas, o homem abaixa a cabeça, a adolescente tira o gloss e dá um último ajuste. A senhora impede a passagem tranquilamente. A moça de 18 quase cai após uma freada. A cobradora dá um sorriso. O cobrador nem sequer olha. Mas quem olha para o cobrador? O bom-dia parece não existir. O sorriso não se vê (é raridade). Ele empurra. Ela pisa. Ela te ajuda. Ele segura os teus livros. A conversa íntima ao celular é para todos. O evangélico profere a palavra. O menino pede uma ajuda. O rapaz vende a distração da viagem. Ele pede. Ela rejeita. Todos chegam.

  • out
  • 11
  • 2009

Futebol é vida

Categorias: Histórias

História de Hermes de Melo

Futebol é um esporte de sucesso mundial. Cada dia mais paises aderem a esta paixão. Tem lá sua importância econômica, é verdade, mas por que essa magnitude e dimensão com o futebol? Já o analisou-se psico-sociologicamente e se concluiu que vamos ao estádio para colocar pra fora nossas frustrações diárias. Vamos com a mesma disposição que o povão ia ao Coliseu ver gladiadores se matar. Vamos pra, protegidos pelo anonimato, xingar o árbitro ou os jogadores porque não podemos xingar o chefe ou outras pessoas que nos relacionamos no dia-a-dia.
Raramente vou a estádios. Vou apenas para conhecer os mais pitorescos como o Maracanã ou o Morumbi, já que não sou torcedor de nenhum time daqui ou muito menos de lá. Claro que também conheço os do Recife, mas vou mais pra analisar as reações das pessoas que assistir aos jogos e, não raro, perco todos os gols da partida, como numa (Flamengo 3 X 3 Vasco) que assisti no Maracanã em 1999 ou 2000 se não me falha a memória. Se um dia você vir alguém permanecer sentado com um copo de cerveja na mão enquanto o estádio vai abaixo pela comemoração de um gol, este alguém sou eu.
Acho que o futebol faz sucesso por ser a melhor metáfora da vida. Senão vejamos: Primeiro, o sucesso de um time é conseqüência de uma mistura conhecida: talento, trabalho e sorte. Freqüentemente vemos um time, teoricamente mais fraco bater um mais forte. Também vemos um time persistente virar o jogo aos 45 do segundo tempo. Assim como a vida o futebol é uma “caixinha de surpresa”.
Algumas pessoas que têm tudo pra dar certo na vida, às vezes, dela leva coro. Neste aspecto, meu amigo Pepa diz, por exemplo, que intelectual é aquele cara muito inteligente que não conseguiu aprender a ganhar dinheiro. Outras que não seguem um caminho mais tradicional conseguem vencer de goleada. Às vezes, também há reviravoltas, bambo, gol de canela, pênalti perdido, arbitragem incompetente, e aí esta a graça da vida e do futebol: uma certa imponderabilidade. Ou seja: o imprevisível pode acontecer e o previsível não.
Quando se pensa que já se viu tudo, eis que a vida lhe mostra que ainda é hora de aprender. Pensei que já tinha visto muita coisa em futebol até ver o Náutico, em 2005, disputando uma vaga com o Grêmio de Porto Alegre para ascender a 1a. divisão, precisando, apenas, do empate, tendo o Grêmio vários jogadores a menos, perder por 1X0, depois do Náutico, ainda, ter perdido dois pênaltis.
Copa do Mundo acompanho com afinco. Sou patriota. Passada a frustração de não ter dois times pernambucanos ou nordestinos na primeirona, tratei de acompanhar as partidas da Copa do Mundo, pela TV, claro! Dia 11 de junho de 2006, fui assistir no Bar de Zezinho em Candeias o jogo Portugal e Angola, válido pelas eliminatórias da primeira fase. Não imaginava que pudesse alguém torcer com paixão naquele local, até que aos 5 segundos do primeiro tempo, Portugal quase abre o placar num chute cruzado. Vi um torcedor se movimentar com aflição e puder reparar melhor que ele estava com uma camisa da seleção portuguesa. Mais 4 minutos e Figo abre o placar: 1X0 pra Portugal. O torcedor – apenas ele e ninguém mais – se levantou e vibrou esfuziantemente. Até aí tudo bem, deduzi o óbvio: ele era português sem dúvida, mas o fato dele vibrar e não emitir nenhum som me pareceu estranho. Foi o primeiro torcedor que conheci que se levanta, vibra, gira a camisa, mas não diz nada: nem o insegurável gooooooool. Era sem dúvida o torcedor mais discreto que já vira, talvez por respeitar o fato de ninguém ali estar interessado no resultado do placar além dele.
Jogo vai, jogo vem. Bebida vai, bebida vem. O torcedor que a esta altura já era folclórico sentou-se na minha mesa, foi quando o mistério se revelou: ele era mudo. O que mais posso ver na vida…ou no futebol?

  • out
  • 11
  • 2009

Metáfora: o enorme nada

Categorias: Histórias

História de Hermes de Melo

Há quem defenda que a maior invenção do homem foi o fogo. Outros acham que foi a roda. Outros dizem que foi a capacidade de se comunicar. Teria sido a pólvora, por ter igualado homens fracos aos fortes? Ou o elevador, por permitir o soerguimento das grandes cidades? ou Deus pra controlar o implacável acaso? A imprensa? O automóvel? O avião? Não! Nada disso! A maior invenção do ser humano foi a METÁFORA!
Metáfora é uma espécie de analogia. É a mais importante ferramenta criada pelo homem. A manha é a seguinte: pra se entender uma coisa mais complexa criamos um modelo menos complexo: uma maquete. Nesta maquete criamos relações internas. As relações obtidas neste modelo menos complexo deve se aplicar ao mais complexo e assim passamos a compreender o mais complexo da mesma forma que o menos complexo. Na matemática, por exemplo, existe a semelhança de triângulos. As relações de um triângulo semelhante se aplicam perfeitamente ao outro.
Como um astrônomo estuda o universo? Construindo um modelo em escala menor e analisando-o. O que serve pro modelo menor serve pro maior.
Como se estuda a física quântica? Da mesma forma. Só que desta vez, se monta um modelo maior. O que se aplica no maior, cabe no menor.
E tem dado certo. Os erros ocorrem, exatamente, porque as metáforas só representam uma parte do universo. Quando cotejadas com a realidade deste faltam peças do complexo quebra-cabeças. A produção acadêmica tem essa função: completar os fragmentos metafóricos com fragmentos de realidade.
O início da matemática espelha bem o que vem a ser uma metáfora: um pastor que queria controlar a quantidades de suas ovelhas fez uma associação: cada ovelha corresponderia a uma pedra. Cada ovelha que entrava no curral ele retirava uma pedra e assim sabia se estava faltando alguma. Desta metáfora inicial se tem uma complexa metáfora da matemática atual. Uma grande relação que busca representar uma complexa relação de fatos existentes no universo.
Nenhum conhecimento se apreende senão pela metáfora. Começa que tudo que vemos, ouvimos ou sentimos, etc, reproduz no cérebro uma……metáfora do que realmente vimos, ouvimos ou sentimos. Verdadeiramente a imagem, som ou sentimentos não existem na cabeça. São reações físico-químicas dos neurônios.
Dessas primeiras metáforas neuronais fazemos deduções através de outras metáforas. O construímos a partir daí são as METÁFORAS DE METÁFORAS.
Não existe, por exemplo, o metro ou o quilo, por não existir essas perfeições na natureza. Assim como não existe uma linha reta ou um plano. São metáforas do mundo que criamos na tentativa de compreendê-lo e modificá-lo para controlá-lo. Promovemos grandes mudanças no planeta alicerçados em………metáforas. Mandamos o homem à lua fundamentado em metáforas.
Um mapa é uma metáfora da cidade.
Pra representar a mercadoria, criamos sua metáfora: o dinheiro, A metáfora do dinheiro é o cheque, as ações, as bolsas de valores, etc.
Como metáfora do futuro criamos o planejamento.
Como metáfora do passado inventamos a memória.
Como metáfora de um instante: A fotografia.
Comunico o pensamento por uma metáfora: a voz. A metáfora da voz é a escrita.
A televisão é a metáfora da realidade.
A novela é uma metáfora da sociedade.
O videogame uma metáfora dos riscos de viver.
As Competições são metáforas de lutas.
A Política é a metáfora da guerra.
O beijo é a metáfora do sexo.
E, finalmente, a metáfora da mulher é a masturbação.
O mundo real não existe. A metáfora é a grande realidade.
A Matrix existe. Eu já sabia.

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