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Histórias

  • set
  • 03
  • 2011

Manifesto

Categorias: Histórias

Poema enviado por André Lucas Fernandes
do blog Eu Também Quero Falar

Manifesto meu repúdio sincero ao coração.
E de “eu repudio” em “eu repudio” me apaixono mais uma vez.
Mas eis que aprendi lições do tempo
e agora serei funestamente cínico.
Para viver, irei matar o que de vida em mim existe;
para viver irei fingir não amar todos aqueles que,
em verdade, amo.

Serei gentil, agradável, serei ator da minha própria vida.
Enganarei todos vocês.

  • set
  • 03
  • 2011

E essa tal moda de “ficar”?

Categorias: Histórias

Poema enviado por Henrique Cardoso (17 anos)

É só chegar, e dar aquela olhada,
Comentar com os amigos e partir em disparada,
Chegar na menina e soltar aquela conversa,
Se ela cair na lábia, é só fazer a pegada,
Depois que ficar, agora é comentar,
E o amor? Onde está?

  • set
  • 01
  • 2011

Modernidade em Colapso

Categorias: Blog do Bienaldo, Histórias

Poema enviado por Lêda Sellaro*

Visionárias mentes não previram,
nem a literatura antecipou
toda a ciência e tecnologia
que o século passado acumulou!
Mas permanece um imenso descompasso
entre o progresso e o avanço social;
e com os sucessos convive o fracasso
de um mundo extremamente desigual!
Há multidões de marginalizados
sob um discurso de base humanista:
seja na luta livre do mercado
ou no planejamento socialista.
E num mundo “menor”, globalizado,
tragédias que parecem fictícias,
males que se supunham superados,
são manchetes de hoje, são notícias!

www.ledasellaro.com

O poema abre um capítulo do seu livro Educação e Modernidade em Pernambuco – inovações no ensino público (1920/1937), publicado pela Editora Universitária da UFPE, vencedor do Premio Amaro Quintas, da Academia Pernambucana de Letras, em 2010.

  • ago
  • 26
  • 2011

Retalhos da Vida

Categorias: Blog do Bienaldo, Histórias

Conto enviado por Amaro França

Só se vê bem com o coração.
Antoine de Saint-Exupéry

Em minhas andanças, pelo semi-árido nordestino – Região do Seridó – tive a oportunidade de conhecer uma comunidade no interior do RN próxima a cidade de Caicó e, algo do cotidiano daquele povoado me chamou a atenção.

Conheci uma senhora com idade avançada com o nome de “Dona Mariquinha” assim era chamada, querida pela comunidade e também bastante conhecida na região por ser uma artesã que produzia lindas colchas de retalhos*.

Enquanto Dona Mariquinha pacientemente cortava os tamanhos de cada resto de tecido, e depois seguia costurando parte por parte, ia também conversando sobre a vida.

Contou-me que havia aprendido aquela arte desde pequena com a sua mãe. Ainda quando criança, D. Mariquinha já fazia as “colchas” para a cama das suas bonecas.

Com o tempo, foi aperfeiçoando na arte e, embora as colchas não lhe rendessem tanto dinheiro, foi uma fonte de renda para o seu sustento e posteriormente para o da própria família.

Nesse nosso encontro, pude observar que cada detalhe da costura era feito com muito carinho. Ela não deixava fiapos, linhas soltas e também não deixava que o tecido ficasse repuxando os outros… Era um grande zelo em seu trabalho, sua arte.

Percebi também em alguns momentos quanto ao retalho que não ficasse bem costurado “harmonioso”, Dona Mariquinha “descosturava-o” reaproveitando-o em outro lugar e só em último caso, descartava-o para uma futura colcha. O importante é que nenhum retalho se perdia.

De vez em quando, a artesã levantava da sua cadeira de trabalho e estendia sobre a cama a “futura colcha de retalhos”. Daí, afastava-se um pouco, olhava do lado, olhava do outro, pegava a cadeira onde estivera sentada e subia nela com certa dificuldade.

Do alto, observava com atenção sem dizer uma palavra. Às vezes descia, ajustava a colcha num ponto ou noutro, voltando ao ponto estratégico de observação.

Curioso eu lhe perguntei: – “Dona Mariquinha todos esses movimentos são necessários para ser produzida uma bela colcha de retalhos?”

Respondeu-me carinhosamente: -“Meu filho, para algumas pessoas que não dão importância a vida, não, mas, para quem tem cuidado com ela, sim.”

Sem entender bem a resposta, pedi para que me explicasse um pouco.

Leia o texto completo

  • ago
  • 26
  • 2011

Si Yo Fuera Mujer

Categorias: Histórias

Conto enviado por Ignacio Ortega Campos

Si yo fuera Blimunda, ese personaje de Saramago que tenía el poder de ver el alma de las personas, registraría en cada caja interior de los hombres, como la caja negra de los aviones, todo el horror que representa el Angelus Novas, de Paul Klee, el ángel que no podía dirigir su mirada hacia el futuro porque su rostro estaba inclinado hacia el pasado, y hasta los ángeles de Win Wenders de la película “El cielo sobre Berlín” serían mujeres porque la mujer, más que el hombre, encarna mejor el consuelo de lo eterno o la promesa de un futuro.

Bueno sería recordar este mes de marzo como un marzo necesario cada día para perpetuar la imborrable memoria de tanta violencia sin limites, el obsceno vacío que deja todos los años cada agresión en un puñado de mujeres irrepetibles, el corazón desgastado, la desazón, la duda, la huella de tantas lágrimas secas. Hora es de recoger y unir las manos y saber que todas son necesarias para reinventar un futuro sin esquinas.

Si yo fuera Betty Friedan estaría al otro lado del muro de los hombres, dueños de la historia, y no negaría –como ella- tras el velo del poder masculino que “el amor es el opio de la mujer” y dejaría tatuada, como fondo de abismo, la memoria que queda tras cada muerte, cada violación o cada injusticia.

Para  que nunca más la voz de una mujer se pierda pidiendo auxilio por los recovecos del lenguaje machista, para que nunca más el gris destino del mañana no sea la interrogación perpetua sin respuestas, o quede varada entre las manos sin saber rebelarse.

Si yo fuera mujer abriría las rejas de esa mujer inmóvil, congelada, inerte, y me rebelaría contra el galán de cada telenovela que hace soñar y me convertiría en esa otra mujer que cobra vida y comienza su andadura como mujer deseante, responsable de su deseo, de su capacidad de gozar, de amar, de producir.

Si yo fuera mujer me haría dueña de mi vida, buscaría mi propio espacio de madre agotada, viuda o mujer abandonada y estaría allá donde la marginación sea agresión, donde la violencia se convierte en muerte, donde los salarios discriminan, donde el trabajo señala como mujer y se conjuga siempre en femenino.

Si yo fuera mujer rompería las telarañas de la cotidianeidad machista para que no prevalezca la superioridad de unos sobre otros, sino la participación equilibrada que alumbra un camino para todos, y no aquella otra participación positiva dictada con decretos y mandos. Y, en fin, repetiría hasta el infinito con Mario Benedetti:

“con mis brazos no cerrados
mi rosa no de plástico
y su amor no de ángeles”.

Siempre debió ser así.

  • ago
  • 26
  • 2011

Essência

Categorias: Histórias

Poema de Daniele do Vale Silva

Audaciosa imagem que vejo nas águas do lago
Sinto-me com o cheiro doce das flores na primavera
Meus olhos aspiram à vida sem a fina camada de ilusão
Sinto que sou pó
Sou verme na areia úmida.

A tristeza que horas alenta e consome
Conheço de có
Pois exercito com louvor na escola da solidão.

Vem, vem até a mim!
Decifra-me se for capaz!
Desvenda o mistério do meu ser,
Faz-me sentir a verdadeira essência
O verdadeiro sentimento da paixão pelo amor
Que perdi e não encontrei.

  • ago
  • 18
  • 2011

Pesadelo Real

Categorias: Blog do Bienaldo, Histórias

Conto de Dudd Mart
(do blog Biblioteca Particular)

Eu me remexia na cama, um vento soprava perto dos meus ouvidos. Tentava entender o que era. Não parecia ser algo natural, pois se repetia várias vezes. O vento ficava cada vez mais forte e mais frequente, meu corpo se arrepiava e estremecia.

O vento pareceu entrar no meu corpo, me dando uma energia assustadora. Sentia meu corpo mexer, mas os comandos não vinham de mim, não era eu que estava controlando meu corpo. Quando me dei conta, senti que eu estava quase saindo da cama. Lutei contra essa força, o vento surgiu novamente e a aquela terrível energia se foi. Fiquei aliviada.

Tentei abrir os olhos, mas nada aconteceu. Sentia a força nas minhas pálpebras, mas elas não saiam do canto. O pesadelo ainda não terminara.

Escutei aquele som forte e senti o vento frio perto do meu rosto, algo novamente entrou em mim e dessa vez parecia mais forte. Senti minhas pernas se mexerem, indo para fora da cama. O controle que me restava, usei para manter as pernas no lugar. Era uma batalha difícil e assustadora.

Comecei a rezar, a energia estranha parecia resistir. Sentir meu corpo virar, estava quase caindo da cama. Rezei mais forte, estava prestes a chorar. Havia algo me dominando e não parecia que ia me deixar em paz.

Eu tentei gritar para pedir ajuda, mas nada saia da minha boca e não havia mais ninguém em meu quarto. A porta estava trancada e ainda era muito cedo. A batalha era somente minha.

Lutei contra essa energia, pareciam horas de tortura e medo. A energia queria me fazer andar, mas eu resistia o máximo que podia.

Então meus olhos se abriram. Meu corpo tremia e eu chorava. O lençol estava sobre meu rosto e eu não tinha coragem de tirá-lo. Respirei fundo, tudo ainda estava escuro. Coloquei a mão no lençol e o puxei lentamente.

O quarto estava quieto, tudo parecia estar em seu devido lugar. Fiquei ali, estática, olhando perturbada, tentando entender o que havia acontecido, se foi um sonho ou realidade.

  • ago
  • 18
  • 2011

A écharpe

Categorias: Blog do Bienaldo, Histórias

Crônica de Mônica Paiva

É… a écharpe se foi…

Tudo bem, era apenas uma écharpe.

Mas, pensando bem… uma écharpe é uma peça chave no guarda roupa de uma mulher. Pois pode deixá-la com um visual mais arrumado, moderno ou sensual quando é usada caída levemente nos ombros, além de servir como agasalho em uma noite fria.  Na verdade uma écharpe é um acessório bem versátil e fundamental num look feminino. É quase como um blazer para um homem. Você põe, tira, faz charme, joga no ombro, segura no antebraço.

Tudo bem, era apenas uma écharpe.

Interessante a história daquela écharpe preta. Foi amor a primeira vista. Quando bati o olho, me imaginei logo com ela. Estava em um manequim e não havia igual na loja. Ocasionalmente o gerente passava por mim naquele momento e com um olhar intrigante, indagou-me: “Posso ajudá-la?!” E eu decididamente disse: “Sim, eu quero aquela écharpe.” Ele imediamente chamou uma funcionária da loja que a retirou com um pouco de dificuldade, pois o manequim estava numa parte alta da vitrine. Quando olhei-a de perto, percebi que tinha algumas falhas, como toda peça em linha, fácil de danificar pela sua delicadeza. Nada que uma puxadinha daqui e outra dali com o auxílio da atendente para reajustar os fios. “Pronto.Vou leva-lá!” E sai da loja com a certeza de ter adquirido a peça que faltava para compor meu visual para a festa que eu ia naquele noite.

O relógio marcava 19 horas, momento de começar o ritual feminino: banho, secador, hidratante, maquiagem, sapato, roupa, brinco, perfume, bolsa e ela… a écharpe. Que parecia ter vida em cima da cama, como se me pedisse para ir à festa comigo. Ela esperou pacientemente sua vez, pois foi o último acessório que eu coloquei. Eu a peguei e ela se acomodou suavemente em meus ombros… Perfeita!

Leia o texto completo

  • ago
  • 18
  • 2011

Arte Minha

Categorias: Histórias

Poesia de Nelciene Santos

Assim tudo começou
Dum lampejo inspirado
Menina moça desabrochou
Neste universo encantado
Versejando canto e vida
Almas e olhos alegrando
Resgatando esperanças perdidas
Nas letras se debruçando
Outrora com ares de menina
Deleitando-se em versos
Pura mulher doce e felina Agora
Abarcando sonhos diversos
Alçando vôo pela vida afora
De mãos dadas com a educação
Doação plena e descomunal
Escolha certeira de um coração
Na busca de um mundo justo e igual.

  • ago
  • 18
  • 2011

Quando eu ganhei o mundo

Categorias: Blog do Bienaldo, Histórias

Crônica de Anselmo Cabral da Silva

Todo mundo tem uma história daquele que foi o dia mais importante da sua vida e, sobretudo quando se vai ficando mais velho, parece que essa história vai ficando cada vez mais repetida a ponto de, muitas vezes, principalmente os mais jovens (que são sempre os mais cruéis) dizerem que ninguém aguenta mais ouvir essa história.

O fato é que eu também já vou acumulando idade e, embora ainda não tenha entrado na fase dos “ENTA”, também tenho minha história preferida, e que talvez tenha sido, senão a coisa mais importante que já me aconteceu na vida, é, com certeza, um dos fatos que mais me alegram de recordar dado seu significado tanto concreto, quanto emocional.

Também me desculpem os jovens de hoje com seu enjoo natural e tanta capacidade de criticar, mas pouca de refletir. Mas quero contar ainda muitas vezes essa história de como ganhei o mundo tanto em sentido subjetivo, poético e até religioso, mas também em sentido real, físico e por que não considerar e até agradecer à ciência humana pela graça que, por meio dela alcancei?

– Desculpem-me os jovens se pareço duro com eles, não é a intenção nem deste texto e tampouco da minha pessoa, acho que à medida que vou sentindo a minha própria juventude passar também já começo a entrar na defensiva com relação aos mais moços, mas o fato é que essa história também tem a ver com a minha juventude e, alguém de qualquer idade com um mínimo de sensibilidade logo vai entender porque ela é tão importante entre as minhas memórias.

Leia o texto completo

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DEPOIMENTOS



"Acho importante porque essas feiras sempre são cheias de gente, crianças. É muito importante. É muito bom que essas têm acesso ao mais diversos tipos de livros. Em relação a Ciência, é bom as pessoas entenderem os planos futuros e a capacidade de impactar o futuro." Miguel Nicolelis – neurocientista



"Eu acho que uma feira dessas é importante para a difusão dos livros, que é o veículo da literatura. É fundamental e, felizmente, está cada vez mais presente no país. É fabuloso." Joca Reiners Terron - escritor



"Eu acho que a Bienal já está consolidada no calendário cultural da cidade. É um dos eventos que colocam o Recife em uma posição destacada nesta área." Homero Fonseca - jornalista e escritor