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Histórias

  • set
  • 17
  • 2009

A triste morte do pequeno demônio

Categorias: Histórias

História de Alexandre Santos(*)

Passara os últimos 60 anos torcendo para que a Morte, em sua grandeza, o levasse, livrando-o dos milhares de fantasmas – vultos de vísceras à mostra, rostos queimados e vidas destruídas – que, desde a explosão da cidade oriental, atormentavam-no com os gritos e choros da dor sem fim. Neste interregno, contrariando súplicas e prantos, sem chance de vislumbrar quaisquer dos reinos celestiais, nem mesmo os das profundezas infernais, seu espírito permaneceu aprisionado naquele corpo pecador, padecendo as marcas do tempo e as dores da história. A cada dia que viveu exilado em seu próprio interior, atormentado pelas trevas que lhe antecipavam as penitências que sabia merecer, odiou o capelão que, a mando do próprio Demônio, lhe garantira absolvição negando a existência de pobres inocentes. “Onde está a misericórdia Divina, que a tudo perdoa?”, se perguntava a cada soluço, a cada pesadelo, a cada espasmo. Na eterna depressão em que viveu mergulhado, concluiu que, além de indigna para a mesa do Senhor, de tão suja, sua alma sequer merecia a sarjeta dos demônios. Um dia, no entanto, para sua alegria, a Morte chegou. Sem maiores explicações, o arrebatou do leito imundo e o jogou na eternidade. Saído da escuridão, viu o céu em chamas em meio a uma nuvem púrpura que explodira em forma de cogumelo. Tinha começado o seu inferno.

(*) Alexandre Santos é presidente da UBE-PE e da Academia de Letras e Artes do Nordeste do Brasil.

  • ago
  • 04
  • 2009

Os Livros no Chão

Categorias: Histórias

História de Jamison Martins

Tarde chuvosa, foi quando Alex viu que não poderia sair em meio a uma tempestade naquele sábado frio, preferiu ficar com os livros, na verdade eram muitos aqueles que ele deixara para arrumar.

Era muita chuva naquela tarde, Alex acordara as 10:00, tomou um café que poderíamos chamar de preto, era forte e amargo, ele gostava disso, atrelou bolachas de padaria, e uma fatia de queijo branco. Seu apetite matinal aguçou a vontade de folhear um livro, era uma obra de JD. Salinger preferia este a Kafka, começar um complexo matinal, o faria pensar muito na vida, o faria ficar angustiante, ele não poderia pensar em Karina, ela gostava de obras do tipo, era bem estranha e peculiar, ela mexia com Alex, com perguntas sem resposta, e ele só queria pensar nas respostas naquela hora, queria saber por que chovia tanto naquele sábado, ele gostaria muito que fosse um sábado ensolarado, não fizera nenhum plano em especial, mas quem sabe fosse a algum parque com alguém para conversar, ou um cinema, mas o dia era mesmo frio e molhado, pisar naquela cidade seria bem complicado.

O horário do almoço chegou, e Alex ainda folheava o livro, derrepente deu uma vontade de escutar algo e se enganou em pensar que não sentiria fome, associou uma macarronada com a vontade de escutar John Coltrane, não tinha muita coisa em casa naquele dia, encontrara ovos, salsa, tomate, e uma fatia de presunto que já estava perto de estragar se passasse mais um dia, não deu outra, misturou e ficou muito bom, tinha hábito de tomar vinho, não precisava ser caro, ele experimentava muitos, era um provador humano, mas não tinha vinho, pois era justamente o dia de sair para comprar essas coisas, ficou com um refrigerante de laranja mesmo. Escutar Jazz e comer macarronada parecia combinar mais com alguém do lado, pensou novamente em Karina, mas talvez Julia servisse naquele frio, ela com certeza poderia esquentá-lo e o colocaria na cama, mas não o faria dormir depois de comer isso tudo. Quem sabe se escutasse um gothic metal, era uma boa combinação de frio e escuro, mas ainda era dia, ele pensou isso após comer, Um Tristania seria uma boa pedida, mas não, guardou para mais tarde. Atravessou a pilha de livros novamente após sair da cozinha, e não tardou a pensar “tenho que arrumar isso”, foi quando viu o grande Dostoievski largado ao lado de Nietsche, quase como irmãos, mas preferiu pegar o Machado e arrebentar os dois, era Dom Casmurro que ele escolhera, leu por uma hora.

Acabou de folhear, e se achou culpado por ter desprezado, dois caras legais, e disse “que bobagem, vou dar uma chance, afinal hoje é um dia soturno”, pegou O Crime e Castigo, Havia coisa mais existencial do que aquele momento? Leu por mais uma hora, e a chuva ainda era intensa, já eram quase quatro da tarde, olhou para os livros, e eles ainda não estavam arrumados, pensou em deixar para lá, achou que deveria pensar na noite, ele cogitou que a chuva passaria, uma companhia ao cinema era boa e bem vinda, mas olhou novamente os livros no chão, e viu o próximo passo, uma agenda, estava aberta,era o nome e numero de Karina que estavam lá, mas que chamado, pensou Alex, será que era o destino? Retrucou um “não” parecia para ele um sinal, Eram novamente as perguntas sem resposta que via, tratou logo de fechar a agenda, foi à prateleira de CDs, e pegou um Black Sabath, para descontar a frustração, escutou o cd inteiro, com raiva de si mesmo por pensar em Karina, e os livros ainda não tinham sido arrumados, não poderia deixar para o Domingo, pois seria o dia de visita para os seus pais, fazia meses que não o via, e na segunda feira teria que trabalhar, era publicitário, essa profissão não lhe dá muito tempo durante a semana.

Chegou à noite, ele já tinha desistido do dia, não havia parado de chover um só instante, os livros ainda continuavam lá no chão para arrumar, Alex teve tempo de sobra, mas ao invés disso, usou os coitados mais uma vez, quando eles precisavam do descanso organizado. Eram quase seis e meia e bateu à vontade de comer, o jantar era certo naquela hora, foi quando repentinamente a chuva cessou, alegrou-se e fez planos para comer alguma coisa fora. Foi diretamente ao quarto, arrumou-se e voltou à sala, já estava feliz em saber que poderia pelo menos aproveitar a noite daquele dia, se dirigiu até a sala, viu novamente a pilha de livros, sacou rapidamente Juan Carlos Gutierrez, mas já via a bela noite a fora, ainda era fria e pegara um casaco, foi em direção a porta da frente, quando ia pegar na maçaneta, a campanhia toca, ele logicamente ficou surpreso de quem poderia ser, não havia marcado com ninguém para visitá-lo, pensou em Julia por um momento, mas viu que era bobagem, abriu a porta, e gelou ao ver a visita, “Olá boa noite” disse Karina,sem ação ele respondeu” O que faz aqui essa hora?” Karina entrou, mesmo sem permissão, olhou para pilha de livros no chão e perguntou “Porque você não arrumou esses livros? estão uma bagunça” Por um minuto Alex sentiu uma coisa boa, ele viu que finalmente entendera o porquê não conseguiu arrumar os livros o dia inteiro, e finalmente achara uma resposta para pergunta de Karina, coisa que nunca havia acontecido antes,sentiu-se como um ganhador da loteria, ele entendeu tudo, ela o olhava com desejo , e sem nenhuma palavra a pegou nos braços e disse-lhe apenas uma palavra “Agora eu entendo”.

  • mai
  • 26
  • 2009

ABC…

Categorias: Histórias

Texto enviado por Andrea Costa

A é o amor que dou pra minha mãe.
B é o beijo que dou em você.
C é a casa onde eu moro.
D é o dedo que toca em você.
E é o efefante que eu desenhei.
F é a festa que eu faço agora.
G é o gato, gatinho – “miau” – “miau”…
H é hora de brincar.
I é a igreja pra orar.
J, é a janela que abre pro céu.
L é a luz, que ilumina
M é o macaco que pula pra cá, que pula pra lá, que pula pra cá.
N é o navio, que na agua navega.
O é o ovo, que nasce o p.
P, de pato, que faz “quá quá quá quá”
Q é o queijo, que o
Rato gosta, que o
Sapo não gosta de
Tatu
U é a uva, que nasce no pé.
V é a vaca, que faz “muuu”
X é o xadrez, que é preto e branco, igual à
Zebra, que é branca e preta.
Opa!
K, Y e W fazem parte do alfabeto – agora ficou completo!

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DEPOIMENTOS



"Acho importante porque essas feiras sempre são cheias de gente, crianças. É muito importante. É muito bom que essas têm acesso ao mais diversos tipos de livros. Em relação a Ciência, é bom as pessoas entenderem os planos futuros e a capacidade de impactar o futuro." Miguel Nicolelis – neurocientista



"Eu acho que uma feira dessas é importante para a difusão dos livros, que é o veículo da literatura. É fundamental e, felizmente, está cada vez mais presente no país. É fabuloso." Joca Reiners Terron - escritor



"Eu acho que a Bienal já está consolidada no calendário cultural da cidade. É um dos eventos que colocam o Recife em uma posição destacada nesta área." Homero Fonseca - jornalista e escritor