Um saudável embate entre prosa e poesia. Foi o que o público acompanhou durante a palestra “Conversa e Recital”, ministrada pelo escritor gaúcho Charles Kiefer e o poeta pernambucano Marcos Accioly no auditório Carlos Pena Filho. O encontro foi uma das atrações da tarde desse sábado (10), na VII Bienal nternacional do Livro de Pernambuco. O escritor Salim Miguel e sua esposa Eglê Malheiros, convidados do evento, também estavam na plateia.
Em um clima de amizade e adimiração mútua, os escritores e também professores de literatura conversaram sobre suas impressões a respeito do ofício de escrever e apresentaram um pouco de suas obras.
Charles Kiefer, que ministra oficinas literárias, contou sobre suas influências e os desafios da escrita. “Em minhas oficinas, me inspiro bastante em Raimundo Carrero, cujo livro ‘Segredos da Ficcção’ é sempre recomendado por mim aos alunos”, conta.
Marcus Accioly apontou os pontos fortes da poesia. “A palavra é arbitrária. Quando falamos na palavra ‘cadeira’, passamos direto por esse signo e imaginamos logo o objeto. Na poesia isso não ocorre. O leitor tem de descobrir os outros significados retidos em cada palavra”, explica.
A partir de então foi a vez da literatura em estado puro entrar em cena. Os contos presentados por Kiefer são por vezes intimistas, lidos pelo escritor em um tom que buscava preparar os ouvintes para as surpresas finais de suas histórias, ora místicas como no conto “O Poncho”, ora de suspense, como na história “O Chapéu”.
Já os poemas de Accioly foram recitados de forma vigorosa, com fortes traços de oralidade em seus versos, em poemas que descrevem a luta de um sertanejo para plantar e viver no sertão – extraído de seu livro “Cancioneiro” – ou simulam emboladas entre cantadores, no poema “Coco Praieiro”. Accioly também anunciou que seu livro “Cancioneiro”, cuja primeira edição data de 1968, será relançado ainda esse ano.
O pernambucano revelou, ainda, o que lhe dá mais prazer em ser poeta. “A declamação me dá quase um prazer tão grande quanto escrever”, confessou. Pare ele, a poesia é um equilíbrio entre o popular e o erudito.
O escritor gaúcho Charles Kiefer apreciou bastante a palestra. “Tinha 14 anos quando comecei a ler a obra de Marcus Accioly, e para mim é uma honra estar aqui. Seria ótimo continuar com ele em mais encontros como esse”, disse.
Da Executiva Press