
Evento chega à oitava edição com mais espaços para debates, e mergulha na relação entre o livro e a cidadania
1º Parte da matéria veiculada na Revista Algo Mais
Carlos Drummond de Andrade disse certa vez que o mais importante na literatura é a aproximação que ela estabelece entre os seres humanos, mesmo à distância, mesmo entre mortos e vivos. “Somos contemporâneos de Shakespeare e de Virgílio, somos amigos pessoais deles”, afirmou o poeta e cronista mineiro. Essa comunhão ganha contornos claros em eventos como a Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, que realiza a sua oitava edição entre os dias 23 de setembro e 2 de outubro, no Centro de Convenções.
Recebendo um público apaixonado que superou a marca de 500 mil pessoas nas duas últimas edições, em 2007 e 2009, e movimentou R$ 30 milhões em negócios na mais recente, a Bienal pernambucana é considerada a terceira maior feira literária do País, atrás apenas daquelas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Para manter os números expressivos de visitação e atender à expectativa cada vez mais alta dos frequentadores, a Bienal este ano investe na ampliação dos espaços para debates e na modernização da gestão, que inclui até um manual de práticas sustentáveis para os expositores. “Temos o dever de amadurecer com o que aprendemos, e fazer a melhor Bienal para os pernambucanos”, afirma o organizador, Rogério Robalinho. “Desde a melhoria da montagem dos estandes até a redução dos níveis de ruído no pavilhão do Centro de Convenções, tudo está sendo pensado para que a cidade dos livros esteja pronta para receber leitores de todas as idades com conforto, e todos possam aproveitar as atrações da programação e circular com tranquilidade”, garante Robalinho.
Além dos 26 mil metros quadrados de estandes para os expositores, a Bienal contará com um ambiente externo para praça de alimentação, um palco e um espaço próprio para diversão e conversas com as crianças. Os auditórios Brum, Ribeira e Beberibe serão utilizados pela primeira vez para seminários, palestras e mesas-redondas. No pavilhão, continuam o Círculo das Ideias, a Plataforma de Lançamentos e o Café Cultural, tradicionais redutos de trocas entre os autores, os editores e o público, tendo como centro das atenções o livro.
E para mostrar o livro como objeto de reverência, os autores não podem deixar de ser reverenciados. Mantendo a escrita da Bienal, este ano serão homenageados dois deles. Mauro Mota, em homenagem póstuma que integra a celebração do seu centenário, e o cearense Ronaldo Correia de Brito, vencedor do Prêmio São Paulo em 2009, um dos nomes mais prestigiados da literatura brasileira contemporânea. O primeiro, autor das “Elegias”, falecido em 1984 e que foi da Academia Brasileira de Letras, terá a obra lembrada em diversos momentos durante a programação, através de palestras, performances e debates. Enquanto o autor de “Galiléia” e do “Baile do menino Deus” também terá sua obra visitada, participando de homenagens e recebendo o carinho do público.
Ambos serão destacados na solenidade de abertura, na sexta-feira, 23. Mais tarde, no mesmo dia, Ronaldo Correia de Brito será o entrevistado especial de Rogério Pereira no Paiol Literário, projeto do Jornal Rascunho, de Curitiba, inédito em Pernambuco.
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