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BLOG DO BIENALDO

  • ago
  • 12
  • 2011

Entrevista com o poeta João Cabral

Categorias: Blog do Bienaldo

“A poesia é uma linguagem para a sensibilidade”

 

O Blog do Bienaldo traz pra vocês esta entrevista lendária concedida por João Cabral de Melo Neto em 1986.

UMA AULA DO POETA QUE COMBATIA A “EMOÇÃO FÁCIL” NA POESIA

João Cabral de Melo Neto abre fogo contra os poetas que só sabem provocar “saudade, melancolia e tristeza”! – Por que ele é inimigo da emoção fácil – O autor de ‘Morte e Vida Severina’ garante: “A popularidade é uma coisa terrível!” – Por que ficou traumatizado com a música – O Hino Nacional e o Hino de Pernambuco são as duas únicas músicas que ele consegue distinguir de ouvido! – Um julgamento rigoroso: “Morte e Vida Severina não me satisfaz…” As memórias do jogador de futebol: a diretoria do Santa Cruz foi pedir à mãe de João Cabral a liberação do passe do craque!

O titular da cadeira número 37 da Academia Brasileira de Letras é um caso único de jogador de futebol que deu certo como diplomata e se consagrou como poeta e, seguramente, o único acadêmico que pode ostentar glórias tão díspares – como a de ter sido campeão pelo Santa Cruz Futebol Clube e autor dos versos de um clássico da literatura brasileira, o poema “Morte e Vida Severina”. João Cabral de Melo Neto é um exemplo em carne e osso de que a força física do futebol pode conviver sem grandes traumas, em uma só pessoa, com um extremo apuro intelectual.

O jogador já se aposentou, é claro. Mas o poeta continua entregue a uma difícil, suada e elegante batalha com as palavras. João Cabral de Meio Neto (Recife, 06 de janeiro de 1920) é, acima de tudo, rigoroso com o que escreve. Trabalha as palavras com a precisão de um médico na mesa de cirurgia. Despreza as emoções fáceis. Não quer nem ouvir falar de poetas e escritores que não tenham “interesse intelectual’. E fala da própria obra com uma frieza que chocaria os não iniciados.

A longa carreira diplomática – com passagens pela Espanha, Inglaterra, França, Suíça, Paraguai, Senegal, Equador, Honduras e, finalmente, Portugal – deixou, no comportamento do poeta, traços de uma solenidade que ele mantém em qualquer situação. De férias, em casa, ele dá entrevista metido numa impecável camisa de manga comprida abotoada até a gola. Uma vez, na casa de um irmão, na praia, combinou com um repórter uma entrevista para as dez e meia da manhã. A circunstância de estar de férias de frente para o mar não lhe alterou o gosto de cumprir os horários com rigor. O repórter chegou vinte minutos depois da hora marcada. João Cabral não perdeu a chance: “Você chegou com uma pontualidade nada britânica… ” – foi a primeira saudação que ele pronunciou. Faz tempo que a cena ocorreu. Mas João Cabral não mudou.

Abatido por uma hemorragia gástrica que o obrigou a uma temporada num hospital no Rio de Janeiro e ainda profundamente tocado pela viuvez recente, o poeta não perde a elegância do diplomata nem o rigor do intelectual vigilante quando começa a falar diante do gravador ligado.

****

O fato de conviver com outros idiomas durante anos a fio, como é o caso do senhor, traz alguma dificuldade para o ato de escrever?

João Cabral: “É uma das desvantagens do escritor que é diplomata e vive no estrangeiro. É difícil viver vinte e quatro horas falando uma língua e escrever em outra. Quando Vinícius de Moraes era cônsul em Los Angeles, Gabriela Mistral era cônsul do Chile : ela disse ao Vinícius que ia voltar para o Chile porque estava perdendo o espanho. Veja só: ela encontrava dificuldades para escrever em espanhol vivendo em Los Angeles. É uma desvantagem que o diplomata tem. O diplomata de carreira – não o diplomata ocasional – ou pára de escrever ou tem uma obra pequena. O caso de Aloísio de Azevedo é típico. Depois que foi nomeado cônsul, não publicou mais nenhum romance!”.

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  • ago
  • 12
  • 2011

Faça o download do clipping geral da VIII Bienal (23/08/2011)

Categorias: Blog do Bienaldo, Clipping, Novidades, Releases

Para saber tudo o que já saiu sobre a VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco na imprensa, baixe o clipping de notícias em formato pdf.

Faça o dowload da clipagem clicando aqui.

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DEPOIMENTOS



"Acho importante porque essas feiras sempre são cheias de gente, crianças. É muito importante. É muito bom que essas têm acesso ao mais diversos tipos de livros. Em relação a Ciência, é bom as pessoas entenderem os planos futuros e a capacidade de impactar o futuro." Miguel Nicolelis – neurocientista



"Eu acho que uma feira dessas é importante para a difusão dos livros, que é o veículo da literatura. É fundamental e, felizmente, está cada vez mais presente no país. É fabuloso." Joca Reiners Terron - escritor



"Eu acho que a Bienal já está consolidada no calendário cultural da cidade. É um dos eventos que colocam o Recife em uma posição destacada nesta área." Homero Fonseca - jornalista e escritor