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	<title>Bienal Internacional do Livro de Pernambuco &#187; história</title>
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		<title>Senta que lá vem História!</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Sep 2011 02:41:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bienaldo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E quando a gente pensa que já sabe tudo, aí é que a gente fica sabendo que não sabe de nada! Papo de maluco?! Claro que não, filhão: o conhecimento é assim. Nada é absoluto, tudo pode ser e pode não ser. Tanto em Literatura, quanto em História. O que aconteceu aconteceu, mas depende de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E quando a gente pensa que já sabe tudo, aí é que a gente fica sabendo que não sabe de nada! Papo de maluco?! Claro que não, filhão: o conhecimento é assim. Nada é absoluto, tudo pode ser e pode não ser. Tanto em Literatura, quanto em História. O que aconteceu aconteceu, mas depende de quem conta a história e descreve os fatos! Não estão descobrindo que os imperadores mais pirados de Roma foram excelentes &#8211; e caretas &#8211; governantes?</p>
<p>Pois é, e do lado de cá no oceano a coisa também funciona assim! E a VIII Bienal do Livro de Pernambuco vai te dar a chance de ficar frente a frente com os autores de alguns dos livros que remexeram a história do Brasil &#8211; e da América Latina &#8211; nos últimos anos: <strong>Laurentino Gomes, Leandro Narloch </strong>e <strong>Duda Teixeira</strong>!</p>
<p><em><a href="http://www.bienalpernambuco.com/senta-que-la-vem-historia/attachment/1808" rel="attachment wp-att-5233"><img class="alignleft size-medium wp-image-5233" src="http://www.bienalpernambuco.com/wp-content/uploads/2011/09/1808-198x280.jpg" alt="" width="198" height="280" /></a><a href="http://www.laurentinogomes.com.br/quemsou.php">Laurentino Gomes</a> </em>é escritor e jornalista do Paraná, foi repórter e editor da revista <em>Veja</em> e do <em>O Estado de S. Paulo</em>, além de diretor da Editora Abril. Seu livro <em>1808</em> (Planeta, 2007) ganhou diversos prêmios, como Jabuti nas categorias de Melhor Livro Reportagem e Livro do Ano Não-Ficção, além do prêmio de melhor ensaio pela ABL. <em>1808</em> tornou-se um best-seller disparado, contando em pormenores um dos momentos mais importantes da história de nosso país, a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. E não fique aí pensando que livro de história é chato, e blábláblá: palavra de Bienaldo, <em>1808</em> é sim diversão garantida! E mal posso esperar para ler seu novo livro, <em>1822</em> - sobre a independência do Brasil e suas figurinhas muito peculiares&#8230;</p>
<p>Outra obra de sucesso que botou as ideias de muita gente de cabeça pra baixo é o <em>Guia politicamente incorreto da América Latina</em>, escrito por <em>Duda Teixeira </em>e <em>Leandro Narloch</em>. Duda é repórter da revista <em>Veja</em> e que trabalhou em publicações como o <em>Almanaque Abril, IstoÉ Dinheiro, Saúde! </em>e <em>Superinteressante, </em>e publicou <em>O calcanhar do Aquiles </em>(Arquipélago, 2007), no qual faz um apanhado acessível e bem-humorado de diversas histórias da Grécia e sua mitologia. Já Leandro, também escritor e jornalista, colaborando com a <em>Veja </em>e o <em>Jornal da Tarde</em>, além das revistas <em>Superinteressante </em>e <em>Aventuras na História</em>, foi autor do <em>Guia politicamente incorreto da História do Brasil</em>. Os dois guias promovem uma revisão polêmica e bem-humorada da História, fazendo questão de escapar dos clichês e dos chavões, mostrando fatos obscuros e revelando que nem tudo foi o que parece ser.<a href="http://www.bienalpernambuco.com/senta-que-la-vem-historia/o-guia-politicamente-incorreto-da-historia-da-america-latina" rel="attachment wp-att-5234"><img class="alignright size-medium wp-image-5234" src="http://www.bienalpernambuco.com/wp-content/uploads/2011/09/O-Guia-politicamente-incorreto-da-história-da-América-Latina-194x280.jpg" alt="" width="194" height="280" /></a></p>
<p>Entonces, se liga aí na agendinha bienáldica:</p>
<p>- Para conferir o <strong>Laurentino Gomes</strong>, venha conferir sua palestra no Círculo das Ideias, na sexta-feira 23/09, às 18 horas!</p>
<p>- Para sacar o bate-papo <strong>Politicamente correto é o escambau</strong>, como <strong>Duda Teixeira</strong> e <strong>Leandro Narloch</strong>, se achegue no <em>Café Cultural, </em>sábado 24/09, às 16 horas!</p>
<p><em>BIENALDO é escritor e blogueiro, e manda o politicamente correto pro escambau três vezes ao dia. Mas, não, não faz stand-up comedy, não precisa processá-lo.</em></p>
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		<title>Pesadelo Real</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 20:08:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog do Bienaldo]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Conto de Dudd Mart (do blog Biblioteca Particular) Eu me remexia na cama, um vento soprava perto dos meus ouvidos. Tentava entender o que era. Não parecia ser algo natural, pois se repetia várias vezes. O vento ficava cada vez mais forte e mais frequente, meu corpo se arrepiava e estremecia. O vento pareceu entrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Conto de Dudd Mart<br />
(do blog <a href="http://duddmart.blogspot.com/" target="_blank">Biblioteca Particular</a>)</em></p>
<p>Eu me remexia na cama, um vento soprava perto dos meus ouvidos. Tentava entender o que era. Não parecia ser algo natural, pois se repetia várias vezes. O vento ficava cada vez mais forte e mais frequente, meu corpo se arrepiava e estremecia.</p>
<p>O vento pareceu entrar no meu corpo, me dando uma energia assustadora. Sentia meu corpo mexer, mas os comandos não vinham de mim, não era eu que estava controlando meu corpo. Quando me dei conta, senti que eu estava quase saindo da cama. Lutei contra essa força, o vento surgiu novamente e a aquela terrível energia se foi. Fiquei aliviada.</p>
<p>Tentei abrir os olhos, mas nada aconteceu. Sentia a força nas minhas pálpebras, mas elas não saiam do canto. O pesadelo ainda não terminara.</p>
<p>Escutei aquele som forte e senti o vento frio perto do meu rosto, algo novamente entrou em mim e dessa vez parecia mais forte. Senti minhas pernas se mexerem, indo para fora da cama. O controle que me restava, usei para manter as pernas no lugar. Era uma batalha difícil e assustadora.</p>
<p>Comecei a rezar, a energia estranha parecia resistir. Sentir meu corpo virar, estava quase caindo da cama. Rezei mais forte, estava prestes a chorar. Havia algo me dominando e não parecia que ia me deixar em paz.</p>
<p>Eu tentei gritar para pedir ajuda, mas nada saia da minha boca e não havia mais ninguém em meu quarto. A porta estava trancada e ainda era muito cedo. A batalha era somente minha.</p>
<p>Lutei contra essa energia, pareciam horas de tortura e medo. A energia queria me fazer andar, mas eu resistia o máximo que podia.</p>
<p>Então meus olhos se abriram. Meu corpo tremia e eu chorava. O lençol estava sobre meu rosto e eu não tinha coragem de tirá-lo. Respirei fundo, tudo ainda estava escuro. Coloquei a mão no lençol e o puxei lentamente.</p>
<p>O quarto estava quieto, tudo parecia estar em seu devido lugar. Fiquei ali, estática, olhando perturbada, tentando entender o que havia acontecido, se foi um sonho ou realidade.</p>
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		<title>A écharpe</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 19:48:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog do Bienaldo]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Crônica de Mônica Paiva É&#8230; a écharpe se foi&#8230; Tudo bem, era apenas uma écharpe. Mas, pensando bem&#8230; uma écharpe é uma peça chave no guarda roupa de uma mulher. Pois pode deixá-la com um visual mais arrumado, moderno ou sensual quando é usada caída levemente nos ombros, além de servir como agasalho em uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Crônica de Mônica Paiva</em></p>
<p>É&#8230; a écharpe se foi&#8230;</p>
<p>Tudo bem, era apenas uma écharpe.</p>
<p>Mas, pensando bem&#8230; uma écharpe é uma peça chave no guarda roupa de uma mulher. Pois pode deixá-la com um visual mais arrumado, moderno ou sensual quando é usada caída levemente nos ombros, além de servir como agasalho em uma noite fria.  Na verdade uma écharpe é um acessório bem versátil e fundamental num look feminino. É quase como um blazer para um homem. Você põe, tira, faz charme, joga no ombro, segura no antebraço.</p>
<p>Tudo bem, era apenas uma écharpe.</p>
<p>Interessante a história daquela écharpe preta. Foi amor a primeira vista. Quando bati o olho, me imaginei logo com ela. Estava em um manequim e não havia igual na loja. Ocasionalmente o gerente passava por mim naquele momento e com um olhar intrigante, indagou-me: “Posso ajudá-la?!” E eu decididamente disse: &#8220;Sim, eu quero aquela écharpe.” Ele imediamente chamou uma funcionária da loja que a retirou com um pouco de dificuldade, pois o manequim estava numa parte alta da vitrine. Quando olhei-a de perto, percebi que tinha algumas falhas, como toda peça em linha, fácil de danificar pela sua delicadeza. Nada que uma puxadinha daqui e outra dali com o auxílio da atendente para reajustar os fios. “Pronto.Vou leva-lá!” E sai da loja com a certeza de ter adquirido a peça que faltava para compor meu visual para a festa que eu ia naquele noite.</p>
<p>O relógio marcava 19 horas, momento de começar o ritual feminino: banho, secador, hidratante, maquiagem, sapato, roupa, brinco, perfume, bolsa e ela&#8230; a écharpe. Que parecia ter vida em cima da cama, como se me pedisse para ir à festa comigo. Ela esperou pacientemente sua vez, pois foi o último acessório que eu coloquei. Eu a peguei e ela se acomodou suavemente em meus ombros&#8230; Perfeita!</p>
<p><span id="more-3040"></span></p>
<p>Ao chegar à festa, outra coisa intrigante aconteceu, eu quase a perdi. Ao descer do táxi e me dirigir a porta do salão, ouvi um grito de alguém vindo da rua: “Ei moça&#8230; Caiu algo no chão!” Eu havia deixado cair a écharpe no chão quando desci do táxi. Voltei, apanhei-a depressa, dei uma sacudidinha pra retirar a poeira e acenei pro moço dizendo um tímido e feliz &#8220;obrigada!”</p>
<p>Um ponto alto daquela écharpe foi à hora de adentrar o salão de festa. Eu estava um pouco ansiosa, tímida e me agarrei com ela como se fosse um escudo. Foi fundamental para me dar certa&#8230; segurança, além de um certo charme também, acredito. Ao passar entre as mesas, parecia que algo mágico acontecia, olhares de admiração vindo de toda a parte em minha direção&#8230; e eu me senti&#8230; des-lum-bran-te!</p>
<p>Era uma dessas festas com boa música, gente bacana e um astral prá lá de bom! Drinks, canapés, vozes, charmes, olhares, aromas&#8230; e uma Lua cheia tornando a noite ainda mais especial.</p>
<p>Em certo momento, fui ao toilet e pensei em retirar a écharpe e guardá-la na bolsa, mas não atendi minha intuição e segui de volta para a festa com ela. Ao sair para dançar, não lembro-me se a retirei&#8230; apenas que dancei, sorri, amei e fui feliz&#8230; E só lembrei-me dela no dia seguinte, mas não a encontrei.</p>
<p>Ah&#8230; tudo bem&#8230; era apenas uma écharpe.</p>
<p>Mesmo assim, passei o dia pensando nela. Onde ela poderia estar? E quem a encontrou&#8230; homem&#8230; mulher?</p>
<p>Era inquietante pensar que ela havia sido esquecida em um canto qualquer para nunca mais voltar a tocar em minha pele. Foi então que resolvi telefonar para o salão de festas e perguntar se eles haviam encontrado uma écharpe&#8230; preta, linda, diferente&#8230; mágica. Não, eles não tinham visto nenhuma écharpe.</p>
<p>Tudo bem&#8230; era apenas uma écharpe.</p>
<p>Não, não era apenas uma écharpe. Ela me deu brilho e compôs o cenário de uma linda noite&#8230; era a lembrança de um momento feliz que vivi&#8230; Ela era especial.</p>
<p>Me conforta pensar que igual uma borboleta ela irá pousar em outros ombros femininos e, certamente, levará a felicidade para outras mulheres!</p>
<p>Não vou procurá-la, pois quanto mais você corre atrás de uma borboleta, mais ela foge&#8230; Um dia você se distrai e ela pousa em seu ombro&#8230; Assim como a felicidade.</p>
<p>Vou aguardá-la, fingindo estar distraída&#8230; Quem sabe um dia ela pouse novamente em meus ombros!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quando eu ganhei o mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 19:03:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog do Bienaldo]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Crônica de Anselmo Cabral da Silva Todo mundo tem uma história daquele que foi o dia mais importante da sua vida e, sobretudo quando se vai ficando mais velho, parece que essa história vai ficando cada vez mais repetida a ponto de, muitas vezes, principalmente os mais jovens (que são sempre os mais cruéis) dizerem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Crônica de Anselmo Cabral da Silva</em></p>
<p>Todo mundo tem uma história daquele que foi o dia mais importante da sua vida e, sobretudo quando se vai ficando mais velho, parece que essa história vai ficando cada vez mais repetida a ponto de, muitas vezes, principalmente os mais jovens (que são sempre os mais cruéis) dizerem que ninguém aguenta mais ouvir essa história.</p>
<p>O fato é que eu também já vou acumulando idade e, embora ainda não tenha entrado na fase dos “ENTA”, também tenho minha história preferida, e que talvez tenha sido, senão a coisa mais importante que já me aconteceu na vida, é, com certeza, um dos fatos que mais me alegram de recordar dado seu significado tanto concreto, quanto emocional.</p>
<p>Também me desculpem os jovens de hoje com seu enjoo natural e tanta capacidade de criticar, mas pouca de refletir. Mas quero contar ainda muitas vezes essa história de como ganhei o mundo tanto em sentido subjetivo, poético e até religioso, mas também em sentido real, físico e por que não considerar e até agradecer à ciência humana pela graça que, por meio dela alcancei?</p>
<p>– Desculpem-me os jovens se pareço duro com eles, não é a intenção nem deste texto e tampouco da minha pessoa, acho que à medida que vou sentindo a minha própria juventude passar também já começo a entrar na defensiva com relação aos mais moços, mas o fato é que essa história também tem a ver com a minha juventude e, alguém de qualquer idade com um mínimo de sensibilidade logo vai entender porque ela é tão importante entre as minhas memórias.</p>
<p><span id="more-3060"></span></p>
<p>Eu já estava com quase catorze anos. Era um menino ainda em todos os sentidos porque na década de 1980, um garoto com catorze anos não tinha nem os ímpetos e nem a liberdade dos garotos de catorze anos de hoje. E se a época tornava limitado qualquer garoto daquela idade, posso dizer que meu limite era ainda maior dado a um problema de visão que eu tinha, identificava, mas não sabia que tinha porque como não verbalizava a ninguém o que acontecia com a maneira embaçada como eu via todas as coisas, acabava achando que todo mundo também enxergava daquele mesmo jeito.</p>
<p>Brincava de fechar e abrir os olhos de modo alternado para ver as imagens subindo e descendo, ora brilhantes e ora opacas sem saber que aquilo se tratava do resultado do meu problema de visão. É fato, eu enxergava mal, muito mal e um dia algum adulto da família olhando o modo como eu resolvia a tarefa de casa, quase entrando no caderno chamou a atenção: “Esse menino ta precisando usar óculos!”</p>
<p>Foi o suficiente. Nunca me senti tanto o centro das atenções de tantos parentes. Fui levado a um consultório oftalmológico e até já me sentia alguém importante com tantos cuidados que recebia. O negócio é que a alegria do pequeno ceguinho foi até a primeira vez em que tive de colocar aquele bendito colírio e dilatar as pupilas. Exame esse, exame aquele, um equipamento, outro equipamento, depois mais um.</p>
<p>Um médico me olha, chama outro médico, conversam na minha frente e na frente do mau pai e nenhum de nós dois entendíamos os que eles diziam. Depois a explicação científica sobre um problema congênito e degenerativo da córnea e que não me adiantaria usar óculos mas imediatamente me foi receitado o uso da lente de contato.</p>
<p>Hoje todo mundo usa lente de contato e depois da plano real e do apaziguamento econômico pelo qual passou o Brasil, quase qualquer pessoa pode usar, até sem necessidade, uma lente de contato. Mas naquele ano de 1987, pobres como éramos, lente de contato era uma coisa fora da nossa realidade.</p>
<p>Quanto custa? É muito caro! E mesmo se se consegue pagar (sempre se dá um jeito se é realmente importante), esse menino vai saber cuidar da higiene? E se pisca o olho, perde e perde não só a lente, perde um dinheirão&#8230;</p>
<p>Não sei, se conversou e se ponderou de tudo, o consultório fez desconto, a lente foi comprada e comecei a fazer o treinamento para usá-la. Será que hoje ainda existe isso para quem precisa usar lentes de grau? Tudo hoje é tão mais simples&#8230;</p>
<p>Fiz uma semana de adequação das lentes, dentro do consultório até que na sexta feira, o médico me mandou ir andar na rua. “Vá experimentar suas lentes dando uma caminhada na rua, veja como se comporta sua visão”.</p>
<p>Acho que quando me mandou fazer aquilo ele já sabia exatamente o que me aconteceria, já que tinha entendimento médico da minha situação. Mas eu, sem outro referencial de visão a não ser o da minha própria e pobre experiência não imaginava a aventura que me esperava depois da porta do consultório.</p>
<p>Então relato aquela que foi uma das experiências mais ricas e emocionantes da minha vida. O dia em que eu percebi que tinha tido, através de uma lente, a possibilidade de ganhar o mundo. Pus meu pé porta a fora do consultório e vi uma quantidade imensa de gente.</p>
<p>Elas sempre haviam estado assim nas ruas? Eu nunca tinha visto tanta gente e com tantos detalhes e nem tinha conseguido enxergar tão longe. Via a rua toda, o fim da rua, a ponte do outro lado, e muitas coisas que existiam depois da ponte; as nervuras das folhas das árvores e o choque das cores, muitas cores.</p>
<p>Tudo sempre tinha estado na minha frente e somente com catorze anos eu pude vê-las como eram. “Deus, eu era cego e agora posso ver”. Se já tivesse aos catorze anos alguma cultura bíblica obviamente teria me lembrado do cego Bartimeu e compreendido naquele momento a grandeza do milagre de Jesus quando o curou da cegueira.</p>
<p>Anos depois quando conheci essa passagem do evangelho é claro que imediatamente pensei no que Jesus, por meio da ciência, tinha me possibilitado dando aos cientistas a inteligência de criar as lentes de grau.</p>
<p>Para qualquer pessoa tudo era tão natural e vulgar. Para mim era uma festa de susto e de deslumbramento. Tinha ganho um sentido novo e a possibilidade de ver o mundo! Eu tinha, na verdade ganho o mundo todo de presente.</p>
<p>Voltei para a clínica, assinei o recibo de entrega do ‘objeto’ e já voltei para casa enxergando tudo como novo. Vinha no ônibus olhando de vagar os riscos da minha mão que eu nunca tinha visto, os pelos do meu braço, coisas mínimas que me faziam ficar admirado. Os detalhes de Deus em mim, nas pessoas e nas coisas.</p>
<p>Em casa, emocionado vi pela primeira vez, com perfeição, o rosto da minha mãe.</p>
<p>Aquele foi, sem dúvida, um dos dias mais lindos da minha vida. E vou recontar com alegria essa história, mesmo que os jovens não tenham paciência de ouvir, até o meu último dia neste mundo que comecei a enxergar aos catorze anos.</p>
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		<title>ABC&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 20:01:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Raboni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto enviado por Andrea Costa A é o amor que dou pra minha mãe. B é o beijo que dou em você. C é a casa onde eu moro. D é o dedo que toca em você. E é o efefante que eu desenhei. F é a festa que eu faço agora. G é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Texto enviado por Andrea Costa</em></p>
<p>A é o amor que dou pra minha mãe.<br />
B é o beijo que dou em você.<br />
C é a casa onde eu moro.<br />
D é o dedo que toca em você.<br />
E é o efefante que eu desenhei.<br />
F é a festa que eu faço agora.<br />
G é o gato, gatinho &#8211; &#8220;miau&#8221; &#8211; &#8220;miau&#8221;&#8230;<br />
H é hora de brincar.<br />
I é a igreja pra orar.<br />
J, é a janela que abre pro céu.<br />
L é a luz, que ilumina<br />
M é o macaco que pula pra cá, que pula pra lá, que pula pra cá.<br />
N é o navio, que na agua navega.<br />
O é o ovo, que nasce o p.<br />
P, de pato, que faz &#8220;quá quá quá quá&#8221;<br />
Q é o queijo, que o<br />
Rato gosta, que o<br />
Sapo não gosta de<br />
Tatu<br />
U é a uva, que nasce no pé.<br />
V é a vaca, que faz &#8220;muuu&#8221;<br />
X é o xadrez, que é preto e branco,  igual  à<br />
Zebra, que é branca e preta.<br />
Opa!<br />
K, Y e W fazem parte do alfabeto &#8211; agora ficou completo!</p>
]]></content:encoded>
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