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Histórias

  • out
  • 09
  • 2009

Tempo versus Amor

Categorias: Histórias

História de lygia maria de araujo boudoux

Quando se fala de amor se pensa no tempo. Tudo na vida gira em torno de um relógio, um objeto que assusta. O tempo assusta. O tempo assusta o amor. Não se pode segurar o tempo pelos cabelos, nem mudar o rumo da história quando há envolvimento, sentimento, sinergia. O amor é a figura do menino travesso que corre e nem pensa no tempo, criança desconhece tempo.
E o menino acena, corre, pula, num cenário daliesco, onde há relógios que derretem figuras gigantes. O menino brinca como se estivesse oculto, longe dos olhares dos pais e num parque de diversões efêmero. Em toda história de amor há um casal. Uma bailarina e um soldadinho de chumbo, uma estrela no céu e um grão de areia no chão, o impossível é atraente.
Os casais já ouviram falar do menino e suas artimanhas mesmo invisíveis no parque de diversões. O menino vai ao encontro deles e dá-lhes a mão e no inicio é um passeio lento e sentido, depois o menino quer brincar, não consegue mais caminhar apenas, e o casal acompanha nessa viagem fantástica.
O tempo traz a ambigüidade das horas que passam, mas em contrapartida o registro do que passou permanece na memória. Quem ama tem medo do depois. Não confia no destino. O destino na cabeça imensa do deus Júpiter. Felicidade parece flor retirada do jardim, beleza inominável no momento que é colhida e depois o desespero do sumiço do viço e do perfume.

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