- jul
- 01
- 2009
Um Sujeito Estranhíssimo
Categorias: Histórias
História de Bartolomeu Pinheiro de Lira
Bar é bar, o próprio nome já cheira a álcool. Quando se escreve sobre bar deve-se manter distância da palavra fogo. Escritor bêbado teme ao leitor, pois suas palavras poderão ser assimiladas, bebidas (o líquido é precioso). Quem está embriagado não pode escrever, suas palavras insanas chateiam o papel. A mão trêmula insatisfaz a precisão do raciocínio. Bêbado alienado é duplamente ignorado. Quem satisfaz seu diálogo não valoriza sua sanidade. Ele costuma vagar, olhando mansamente, tonto, como a filosofar.
Experimentei vasculhar as profundezas do que pensava um velhinho, já tombando numa pracinha. Usei de toda artimanha, mas relutava minhas perguntas. Eu tinha uma ideia já formada, preconceituosa, um estereótipo, do seu jeitão. Suspeitava que em seu estado uma nova dimensão racional e ideológica renascia a cada copo. Não é possível que o ser humano, ente tão imperfeito dentre os animais, adote mais uma imperfeição. E acompanhava seus passos, suas cirroses. Murmurava coisinhas indecifráveis e respondia a perguntas que não eram feitas. Tinha gestos repentinos e peculiares, trepidações nos braços e pernas. Assemelhava-se a uma garrafa, com pescoço comprido e fino. Pendurou-se num galho e caiu em seguida. Um homem muito esquisito e extravagante, mesmo bêbado. Quis agora me afastar, mas ele me segurou pelo braço, dizendo termos obscenos e ferinos. Corri, mas correu em seguida.
Parou de súbito num barzinho, esquecendo-se de mim. Tomou um gole a mais e pagou. Apanhou uma nota e comeu-a. Revirou o olhar e deu de cara comigo novamente. Eu descansava à distância, refazendo minhas forças. Acompanhei outra carreira, mas consegui fugir. Nunca mais quis saber de bêbado. A verdade é que ele também era doido. Cada doido com sua mania. A sua era beber.

Essa história cativa qualquer pessoa pois todos nós temos lá dentro um pouco de sujeito estranhíssimo.
show
parabéns vc é de mais professor belo texto
A mania deve de alguma maneira ser o primeiro passo para o vicio, em relação ao alcool isso vai além de um simples costume até um vicio decadente…
Adorei o texto, defato, um sujeito estranhíssimo!
Esse caba é rochedo mesmo. Pense numa criatura estranha! Espero nunca encontrar esse sujeito na minha frente.
parabéns muito legal!!!
otima parabéns!!!
é verdade muito bom!!!
Na verdade todos nós temos um pouco de sujeito estranhíssimo. É uma verdade.
Uma história estranha, mas muito boa.
Esse cara é dos meus. A história pode até parecer esquisita, mas nossa sociedade está repleta de gente assim. É só observar.
que beleza como é bom ler belissima historias!!!
que beleza como é bom ler belissimas historias!!!
Concordo com você, Yasmim! Há muita qualidade literária que não pode ser desprezada. Pena que autores como este caem no esquecimento depois da Bienal.
gostei da historia,fala das manias e caracteristicas dos embriagados com humor e muita literatura
muitas pessoas jugam sem conhecer,ninguem é perfeito todos nós somos diferentes e temos problemas cada um vive a vida da maneira que quizer,o mais importante é que não faça mal aos outros.
Sinau de que gente curiosa se dá mau.
Interessante.É sinal que em alguns momento devemos ter cuidado com nossa curiosidade ,ela pode ser perigosa!Se for uma curiosidade de construção(conhecimento pessoal e intelectual),aí é uma maravilha!
História curiosa e mistériosa! Bêbado que alterna entre ser escritor e personagem, entra em conflito com seu próprio EU. Parabéns e abraço.
adorei as coisas que vc falou sobre os personagens especialmente o velho.
fadabulosa adorei,achei muito criativa. Parabens !
Combinou o titulo com a história porque todos que são alcoolatras,são sujeitos estranhíssimos e é muito legal.
A marca registrada do texto são as aparências. Nada podemos julgar pelas aparências. Muito cuidado com as pessoas. A vida real também é um pacote de surpresas. Mais o texto sem dúvida nenhuma é muito bom. As palavras são até colocadas numa disposição disforme, ou melhor, desordenadas, meio loucas. Maravilhosa!
parabens bartolomeu vc é um dos grandes autores.
parabéns adorei a história continui criando … vc tem um belo dom
AS IDÉIAS QUE SE PERDEM NUMA MENTE SÓBRIA SÃO RESGATADAS COM UMA CERTA DIFICULDADE, MAS AS IDÉIAS DE UMA MENTE EMBRIAGADA SÃO VISTAS DE LONGE E NUNCA CHEGAM A UM PONTO, UM OBJETIVO…
EMBRIAGUE SUAS IDÉIAS E NUNCA MAIS AS VERÁ!
MUITO BOM O TEXTO!
Boa sorte!
esse texto e incrivel adorei
LINDA A HISTORIA PROFESSOR!!!!!!!AMEI……
um texto curioso é sensacional é tbm surpriendente adoreii
Essa história ficou muito boa professor eu amei ficou demais foi uma história criativa interessante.Ótimo!!!
ficou lindo professo parabens otimo !!!!!!!!!!!!!!!
eu amei a estoria !nota 10 parabéns professor
ae professor ficou massa parabens
Essa história ficou muito boa professor,o senhor é muito criativo gostei muito dessa história, o senhor esta de parabéns adorei seu história. Um abraço,Bartolomeu
Muito supriendente, uma história muito criativa! Você tem muita criatividade.
adorei a história,parabens!
Eu não sei quem é mais doido,o velhinho ou quem estava perseguindo ele.
Que história,ela cativa os leitores para saber o que vai acontecer.
ESTA HISTORIA E OTIMA E INTERESANTE EU GOSTEI DO TITULO SUJEITO ESTRANHISSIMO QUE ELE ERA ALCOOLOTRA. BEIJJJJJJJJJOSSSSSS PROFESSOR BARTOLOMEU.
esse conto foi muito bem elaborado!!!!! vc é verdadeiramente um grade escritor!!!!!!
Será que esse sujeito estranhíssimo é irmão do sujeito estranho? Acho que o primeiro é doido mesmo. O segundo, não. É normal. É apenas só na vida. Um abraço, Bartolomeu
Narrativa bastante criativa. Parabéns.
É um texto bastante curioso. Um personagem que nos remete à análise do comportamento humano. Uma narrativa bem diferente, muito criativa. Valeu!
Conheço muita gente esquisita no meu trabalho. Vou indicar esta história para o pessoal ver que tem tudo a ver com eles. Aqui é ficção. No meu trabalho é coisa séria. Prefiro esta que traz muita orientação literária. Um abraço.
Parabens! Sou sua fã número 1.
De médico e louco, todsos nós temos um pouco, já dizia Machado de Assis. Esse louco é bom mesmo, na loucura que faz. Sou louca por leitura.
Como é bom ler histórias tão boas e criativas como essa. Muito boa. Valeu.
Esta história daria uma ótima aula de narração e de teatro. A descrição física e psicológica do personagem é bastante inusitado para um conto. Diria ser ultra-moderno. É um estilo ousado e cujas características literárias superam o conhecido. É uma espécie de poema em prosa, difícil de se encontrar.