Homenageados

SOLANO TRINDADE

(Recife, PE, 1908 – Rio de Janeiro, RJ, 1974)

Francisco Solano Trindade nasceu em Recife, no bairro de São José, filho do sapateiro Manuel Abílio, mestiço de negro com branca, e da quituteira Dona Emerenciana, descendente de negros e indígenas. No Recife, Solano estudou até o segundo grau e chegou a participar, por um ano, do curso de desenho do Liceu de Artes e Ofícios. Quando ainda era bastante jovem, nasceu o amor de Solano pela poesia e ele começou a compor seus primeiros poemas em meados da década de 20. No início da década seguinte, o poeta foi um dos organizadores e idealizadores do I Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1934 na cidade de Recife e liderado por Gilberto Freyre. Solano também participou em 1937 do segundo congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador.

No início da década de 40, o poeta segue para Belo Horizonte e depois para o Rio Grande do Sul, onde funda um grupo de arte popular em Pelotas. Pouco tempo depois, volta ao Recife e finalmente segue para a cidade do Rio de Janeiro, onde fixa residência em 1942. Na então Capital Federal, Solano publicou o seu livro “Poemas de uma Vida Simples” em 1944. Devido a um dos poemas do livro, “Tem Gente com Fome”, o poeta foi preso, perseguido e o livro apreendido, embora houvesse, de fato, muita gente passando fome no Brasil. Ainda em 1944, Solano prestigiou o primeiro concerto da Orquestra Afro-Brasileira, do amigo e maestro Abigail Moura e fundou, com Haroldo Costa, o Teatro Folclórico Brasileiro. No ano seguinte, ao lado do amigo Abdias do Nascimento, constituíram o Comitê Democrátrico Afro-brasileiro, que se estabeleceu como o braço político do Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias.

Embora participasse de muitas atividades junto ao TEN, no ano de 1950 Solano fundou, ao lado de sua esposa Margarida Trindade e do intelectual Édson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro (TPB), grupo com sede na UNE, cujo elenco era formado por operários, domésticas e estudantes e que tinha como temática e inspiração algumas das principais manifestações culturais brasileiras, como o bumba-meu-boi, os caboclinhos, o coco e a capoeira. O grupo adaptava para o teatro números de dança e música da cultura popular afro-brasileira e indígena. Cinco anos mais tarde, o poeta criou o grupo de dança Brasiliana, que realizou, com destaque, inúmeras apresentações no exterior.

Em finais da década de cinquenta, Solano resolve fixar as atividades do Teatro Popular Brasileiro na cidade de São Paulo, na tentativa de aproveitar a intensa vida cultural da cidade. Nessa expectativa, muda-se para a cidade de Embu, localizada na grande São Paulo, onde lança o seu livro “Cantares do Meu Povo”. Entre 1961 e 1970, Solano viveu em Embu das Artes. Enquanto esteve por lá, transformou o município em um verdadeiro centro cultural, para onde foram diversos artistas que passaram a viver de arte. Na cidade, o TPB viveu a sua melhor fase, sendo que as apresentações do grupo eram sempre muito concorridas.

Solano foi o grande criador da poesia “assumidamente negra”, segundo muitos críticos. Os livros lançados por ele foram: “Poemas de uma Vida Simples”, 1944, “Seis Tempos de Poesia”, 1958 e “Cantares ao meu Povo”, 1961. Como ator, participou dos filmes “Agulha no Palheiro” (1955), “Mistérios da Ilha de Vênus” (1960) e “O Santo Milagroso” (1966). Trabalhou também como artista plástico, pintando quadros a óleo, sendo que um quadro do artista hoje faz parte do acervo do Museu Afro Brasil.

O artista adoeceu no início da década de 70, sofrendo de pneumonia e arteriosclerose, foi internado em diversos hospitais, até vir a falecer no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1974.

Em 2019, a XII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco busca promover a devida homenagem (in memorian) a este importante poeta pernambucano.

Sidney Rocha

(Juazeiro do Norte, Ceará, 1965)

Foto: Joaomiguel Pinheiro/ Divulgação

O autor homenageado desta Bienal Internacional do Livro

Contista, romancista, editor, roteirista, com trabalhos traduzidos para o inglês, o alemão e o espanhol, sua obra receberá destaque na programação desta Bienal internacional do livro de Pernambuco, em um grande ciclo de debates sobre seus temas, sua cosmovisão, sua relação com o teatro e o cinema, entre outros, sob o ponto de vista de autores, críticos e editores de Pernambuco, do Brasil e do exterior, além dos seus leitores. Excelente oportunidade de saber mais sobre a produção desse importante escritor brasileiro.

A Bienal homenageia, assim, um dos grandes ativistas do livro e da leitura do país, com uma trajetória literária que se consolida dia a dia, que não se resume somente à sua produção autoral com contista e romancista. Rocha é editor de mais de 300 títulos, incluindo o maior projeto editorial do MEC até hoje, a coleção Educadores. Mais recentemente, edita a revista Hexágono, de grandes nomes da literatura pernambucana, distribuída gratuitamente para estudantes da rede pública de Pernambuco, como João Cabral, Osman Lins, Cesar Leal, Hermilo Borba Filho, Ariano Suassuna e Luiz Jardim e, na mais recente série, as pernambucanas Francisca Izidora, Celina de Holanda, Maria do Carmo Barreto Campello de Melo, Edwiges Pereira, Ladjane Bandeira e Clarice Lispector. Além disso, é o responsável pela “ressurreição” de nomes como Natividade Saldanha, o poeta da revolução, entre outros grandes pernambucanos e pernambucanas do mundo da cultura.

Ainda sobre a escola pública, essa é uma das trincheiras de luta desse escritor, que mantém cursos de leitura e escrita criativas nas escolas estaduais como parte de sua militância cultural.

A discussão de sua obra
A primeira vez que SR publicou foi em 1976, há um pouco mais que quarenta anos. Autor da editora Iluminuras, Rocha desenvolveu uma rigorosa forma de escrever e é conhecido por ser um autor que não faz concessões ao mercado nem às modas. Sua obra, contudo, sempre encontra ressonância entre os leitores de variados níveis. Há a trilogia de contos constituída por Matriuska (2009), O destino das metáforas (2011, Prêmio Jabuti de Literatura) e Guerra de ninguém (2015); e a trilogia “Geronimo”, de romances, à qual o autor dedica os dez anos mais recentes de sua carreira, que envolve Fernanflor (2016), A estética da indiferença (2018) e Roosevelt (work in progress, a ser lançado em 2021).

Além do também premiado romance Sofia, escrito há 25 anos, e reescrito o tempo todo pelo autor, obra traduzida para o espanhol (Ateliê Editorial, 2005) recentemente republicada pela Iluminuras.

Sidney Rocha, 54, é um dos mais respeitados autores brasileiros. Seus livros são uma demonstração de certo vigor da linguagem associado a uma crítica sempre profunda da realidade do país e das questões contemporâneas, talvez isso resumisse, grosso modo, a fortuna crítica que o autor vem acumulando no decorrer de sua trajetória.

04 a 13 de outubro | das 10h às 22h

centro de convenções de pernambuco

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R. Jorn. Paulo Bitencourt, 155 – Derby, Recife – PE, 52010-260
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